Em fevereiro de 2016, a Coordenação de Vigilância Epidemiológica de Londrina (PR) foi notificada da ocorrência de 20 casos de febre, náuseas, mialgia, astenia, cefaleia e linfadenopatia entre os funcionários de uma Instituição de Pesquisa localizada na cidade. Um estudo caso controle foi realizado entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016. Os 20 (vinte) casos com sintomas foram comparados com 45 (quarenta e cinco) controles, empregados da instituição, assintomáticos, que trabalhavam na mesma equipe e nos mesmos turnos dos casos. Um questionário semi estruturado foi aplicado a todos os participantes, e as informações sobre sexo, idade, área de trabalho, hábitos alimentares, consumo de água, manipulação de solo e contato com animais foram obtidas. Foram coletadas amostras de água e do lodo das cisternas de abastecimento da instituição, do solo, de vegetais, que quando submetidas à reação em cadeia da polimerase (PCR), foram todas negativas. O consumo de hortaliças no restaurante da instituição foi a única variável associada à ocorrência da doença (p<0,05; OR = 14.72; 95%IC = 2.36 – 333.70). Nesse caso, é mais provável que os casos do estudo epidemiológico descrito tenham sido definidos pelos sintomas e pela presença de
- A)sorologia IgM anti-VCA reativa para Epstein Baar ou monoteste positivo.
Incorreta, porque sorologia IgM anti-VCA reativa ou monoteste positivo sugere mononucleose por Epstein-Barr, que não explica tão bem o vínculo epidemiológico com hortaliças contaminadas.
- B)sorologia IgM reativa ou soroconversão de IgG para o vírus da hepatite A.
Incorreta, porque hepatite A costuma cursar com icterícia e elevação de enzimas hepáticas, não com linfadenopatia como achado principal do surto descrito.
- C)hemocultura positiva ou teste rápido positivo para Salmonella typhi.
Incorreta, porque febre tifóide pode ser transmitida por alimento e água, mas o quadro típico inclui sintomas gastrointestinais e não pede hemocultura ou teste rápido como definição mais provável aqui.
- D)sorologia IgM reativa, com baixa avidez de IgG para Toxoplasma gondii.
Correta, porque IgM reagente com baixa avidez de IgG indica infecção recente por Toxoplasma gondii, compatível com surto associado a hortaliças contaminadas.
- E)hemocultura positiva em meio seletivo para Listeria monocitogenes.
Incorreta, porque Listeria monocytogenes é lembrada em alimentos contaminados, mas o quadro clássico envolve gestantes, neonatos ou idosos, e a confirmação não se faz assim neste contexto.
Gabarito: D
A questão descreve um surto com febre, mialgia, cefaleia e linfadenopatia, um quadro que faz você pensar em infecção aguda transmitida por alimento contaminado. Quando a investigação aponta hortaliças do restaurante como único fator associado, a pista fica muito forte para toxoplasmose adquirida por ingestão de oocistos presentes em alimentos mal higienizados. Na toxoplasmose aguda, os sintomas podem ser inespecíficos e se parecer com virose: febre, mal-estar e linfonodos aumentados, principalmente cervicais. Em surtos alimentares, a confirmação costuma vir da sorologia, com IgM reagente e IgG de baixa avidez, indicando infecção recente. A baixa avidez é importante porque mostra que a resposta imune ainda está “verde”, ou seja, recente mesmo. O gabarito D está correto porque combina exatamente esse raciocínio clínico e laboratorial: quadro compatível com toxoplasmose aguda e marcador sorológico de infecção recente. Como o enunciado não fala em imunossupressão, gestação ou acometimento ocular, a forma mais provável aqui é a adquirida recente, ligada a alimento contaminado. Em prova, vale lembrar do padrão clássico: “síndrome febril + linfadenopatia + exposição alimentar” pede toxoplasmose entre as hipóteses, especialmente quando a investigação epidemiológica aponta vegetais crus. FGV gosta de misturar clínica de síndrome gripal com pista de surto alimentar para ver se você pega a infecção certa sem cair no primeiro diagnóstico que lembra mononucleose.