Paciente apresentando cansaço aos esforços progressivamente mais graves. Levado a realizar exames , o ecocardiograma mostrou uma tumoração intracardíaca de 4,3 cm, com diagnóstico muito sugestivo de um mixoma cardíaco. Em relação aos mixomas cardíacos, as seguintes afirmativas estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Podem apresentar episódios embólicos.
Certa, porque mixomas podem embolizar fragmentos tumorais ou trombos associados.
- B)Em geral são pediculados no septo interatrial.
Certa, pois geralmente são pediculados e se fixam no septo interatrial, especialmente na região da fossa oval.
- C)Podem simular quadro de estenose da valva mitral.
Certa, já que podem obstruir o fluxo mitral e simular estenose da valva mitral.
- D)São os tumores cardíacos mais comumente encontrados.
Certa, porque o mixoma é o tumor cardíaco primário benigno mais comum.
- E)A localização dos mixomas é mais frequente no átrio direito.
Errada, pois a localização mais frequente do mixoma é no átrio esquerdo, não no átrio direito.
Gabarito: E
O mixoma cardíaco é o tumor primário benigno mais comum do coração, e o clássico é aparecer no átrio esquerdo, geralmente preso por um pedículo no septo interatrial, perto da fossa oval. Ele pode se movimentar como uma “bolinha” dentro da câmara, atrapalhando o fluxo sanguíneo e até simular estenose mitral, principalmente quando prolapsa para a valva. Por isso, o paciente pode ter cansaço, dispneia, síncope, sopro e sintomas muito parecidos com valvopatia. Outra marca importante é o risco de embolização. Partes do tumor ou trombos associados podem se desprender e causar eventos embólicos sistêmicos, o que é um ponto bem cobrado em prova. Em outras palavras: mixoma não é apenas uma massa bonitinha no eco, ele pode dar problema de verdade. A banca costuma trabalhar o padrão anatômico clássico: origem no átrio esquerdo, inserção no septo interatrial, aspecto pediculado e quadro clínico de obstrução valvar e embolia. Existe, sim, mixoma em outras câmaras, inclusive no átrio direito, mas isso é bem menos frequente. Então, o item errado é o que inverte a epidemiologia anatômica ao dizer que a localização mais frequente é no átrio direito. Isso contraria o padrão clássico ensinado em cardiologia e na literatura de referência.