Paciente masculino, 15 anos, com história de roncos há 6 meses, acompanhados de obstrução nasal principalmente a direita e epistaxes recorrentes, que não melhoraram com os tratamentos clínicos efetuados. Pergunta-se: 1. Qual o diagnóstico mais provável? 2. Qual o tratamento mais adequado? As respostas são, respectivamente,
- A)doença do compartimento central / tratamento cirúrgico e imunoterapia.
Errada: doença do compartimento central não é o diagnóstico típico de adolescente com obstrução nasal unilateral e epistaxe recorrente, e imunoterapia não é tratamento padrão desse quadro.
- B)hipertrofia de adenoides / tratamento cirúrgico.
Errada: hipertrofia de adenoides causa obstrução nasal e ronco, mas não explica epistaxes recorrentes nem a obstrução predominante de um lado.
- C)nasoangiofibroma juvenil / tratamento cirúrgico.
Certa: o quadro é clássico de nasoangiofibroma juvenil, e o tratamento de escolha é cirúrgico, com atenção ao grande risco de sangramento.
- D)rinossinusite eosinofílica não alérgica / corticoterapia tópica nasal.
Errada: rinossinusite eosinofílica não alérgica pode dar obstrução nasal, mas não é a causa típica de epistaxe recorrente em adolescente masculino.
- E)hamartoma respiratório / tratamento cirúrgico.
Errada: hamartoma respiratório é lesão benigna rara e não é a apresentação clássica de obstrução nasal unilateral com epistaxes em puberdade.
Gabarito: C
O quadro clássico aqui é o de um adolescente do sexo masculino com obstrução nasal unilateral, roncos e epistaxes de repetição. Isso deve acender a luz amarela para uma lesão vascular benigna, mas localmente agressiva, que costuma aparecer em meninos na puberdade. O nome que você não pode esquecer é o nasoangiofibroma juvenil. Ele nasce quase sempre na nasofaringe e pode crescer para cavidade nasal e seios paranasais, explicando a obstrução nasal progressiva e o sangramento fácil. Como é muito vascularizado, manipulação desnecessária e biópsia podem ser perigosas, então o diagnóstico costuma ser clínico e por imagem, especialmente tomografia e/ou ressonância, para avaliar extensão. O tratamento mais adequado é cirúrgico, geralmente com planejamento cuidadoso e, em muitos casos, embolização pré-operatória para reduzir o risco de sangramento. Radioterapia fica reservada para situações selecionadas, como tumores irressecáveis ou recidivados, e não é a primeira escolha do caso típico. Por isso, a alternativa C está correta: a combinação de adolescente do sexo masculino, obstrução nasal unilateral e epistaxes recorrentes é praticamente a assinatura do nasoangiofibroma juvenil, e o tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica. É aquela questão que a banca gosta de vestir de rinite, mas o nariz sangrando do jeito certo entrega o jogo.