Os seguintes distúrbios eletrolíticos são conhecidos por causar encurtamento do intervalo QT ao eletrocardiograma:
- A)hipercalcemia e hiperpotassemia.
Correta: hipercalcemia e hiperpotassemia podem encurtar o intervalo QT no ECG.
- B)hipercalcemia e hipopotassemia.
Errada: a hipopotassemia tende a prolongar o QT, não a encurtá-lo.
- C)hipocalcemia e hiperpotassemia.
Errada: a hipocalcemia prolonga o QT, embora a hiperpotassemia possa encurtá-lo.
- D)hipocalcemia e hipopotassemia.
Errada: tanto a hipocalcemia quanto a hipopotassemia estão mais associadas a prolongamento do QT.
- E)hipocalcemia e hipomagnesemia.
Errada: a hipocalcemia e a hipomagnesemia são causas clássicas de QT prolongado e risco de torsades.
Gabarito: A
O intervalo QT representa, de forma simplificada, o tempo de despolarização e repolarização ventricular. Quando certos eletrólitos mudam, o coração “acelera” ou “desorganiza” esse processo, e o traçado do ECG denuncia isso rapidinho. Entre os distúrbios clássicos associados a encurtamento do QT, os campeões são a hipercalcemia e a hiperpotassemia. A hipercalcemia encurta a fase de platô do potencial de ação, reduzindo a duração do QT. Já a hiperpotassemia altera a condução e a repolarização, podendo reduzir o QT em fases iniciais ou em apresentações compatíveis com encurtamento do segmento QT. Por outro lado, alguns distúrbios fazem exatamente o oposto: a hipocalcemia costuma prolongar o QT, porque aumenta a duração da fase de platô. A hipopotassemia também tende a prolongar a repolarização, frequentemente com ondas U e maior risco de arritmias. A hipomagnesemia, por sua vez, também se liga mais a prolongamento do QT e torsades de pointes do que a encurtamento. Então, quando a questão pergunta quais distúrbios encurtam o QT, você deve pensar primeiro em hipercalcemia e hiperpotassemia. É um daqueles temas de ECG em que um eletrólito “encurta” e os outros costumam “esticar” o traçado, o que ajuda muito na prova.