Em relação ao tratamento da sífilis maligna precoce, assinale a afirmativa correta.
- A)A resposta às doses habituais de penicilina benzatina recomendadas para a sífilis secundária é ótima.
Correta: a sífilis maligna precoce é tratada como sífilis secundária precoce, com boa resposta às doses habituais de penicilina benzatina.
- B)Há necessidade de tratamento com três doses semanais de penicilina benzatina.
Errada: três doses semanais são esquema de sífilis tardia ou de duração ignorada, não de sífilis precoce maligna.
- C)O tratamento deve ser realizado com penicilina cristalina endovenosa.
Errada: penicilina cristalina endovenosa é reservada para situações como neurossífilis, não para a forma cutânea precoce isolada.
- D)O tratamento deverá ser realizado semanalmente com penicilina benzatina até o desaparecimento das lesões.
Errada: o tratamento não deve ser repetido semanalmente até desaparecerem as lesões, porque isso não é o esquema padrão da sífilis precoce.
- E)É frequente a resistência à penicilina, estando indicada a cefatriaxona.
Errada: resistência relevante à penicilina não é o problema típico da sífilis, e ceftriaxona não substitui a penicilina como primeira escolha nessa situação.
Gabarito: A
A sífilis maligna precoce é uma forma rara e mais exuberante da sífilis secundária, com lesões ulceradas, crostas espessas e aspecto bem mais agressivo do que a “sífilis comum” que muita gente imagina. Mesmo sendo dramática na pele, o agente continua sendo o Treponema pallidum, e o tratamento segue a lógica da sífilis precoce: penicilina benzatina nas doses habituais para sífilis secundária. Ou seja, não é porque a pele está com cara de novela das 9 que o esquema precisa virar UTI dermatológica. O ponto-chave é este: sífilis maligna precoce não significa necessidade automática de penicilina cristalina endovenosa, nem de repetir benzatina semanalmente até sumirem as lesões. A conduta é a mesma da sífilis precoce, salvo situações específicas como neurossífilis, que aí sim muda o jogo. Em prova, a banca costuma testar justamente essa confusão entre gravidade clínica da pele e gravidade terapêutica do esquema. Na prática, para sífilis recente, a penicilina benzatina é o tratamento padrão, e essa é a orientação consagrada em diretrizes do Ministério da Saúde e em consensos dermatológicos e infecciosos: a forma clínica cutânea mais intensa não altera, por si só, o regime recomendado. O que muda a escolha do antibiótico é o sítio de acometimento e a fase da doença, não o “visual” das lesões. Por isso, a alternativa correta é a que afirma que a resposta às doses habituais de penicilina benzatina recomendadas para a sífilis secundária é ótima. Em resumo: sífilis maligna precoce continua sendo sífilis precoce, e sífilis precoce gosta mesmo é de penicilina benzatina.