Paciente inicia quadro de hemorragia pós-parto. O médico assistente opta por usar o balão de tampão intrauterino. O seu uso seria justificado na seguinte situação:
- A)em caso de hemorragia após parto vaginal por suspeita de laceração uterina;
Errada, porque laceração uterina ou do trajeto vaginal exige reparo cirúrgico do ponto de sangramento, e não tamponamento intrauterino.
- B)em caso de hemorragia relacionada à placenta prévia durante uma cesariana;
Certa, pois o balão pode ajudar a controlar sangramento do leito placentário na placenta prévia, inclusive durante cesariana.
- C)em caso de hemorragia após um parto vaginal por suspeita de retenção placentária;
Errada, porque a retenção placentária pede dequitação/remoção dos restos placentários, e não uso primário do balão.
- D)em caso de hemorragia com suspeita de infecção intrauterina associada;
Errada, porque a presença de infecção intrauterina não é indicação de balão; primeiro é preciso tratar a causa infecciosa e a origem do sangramento.
- E)como profilaxia de sangramento em situações de alto risco de hemorragia.
Errada, porque o balão é medida terapêutica para hemorragia já instalada, não profilaxia rotineira de sangramento.
Gabarito: B
O balão de tampão intrauterino é uma medida de segunda linha para controlar hemorragia pós-parto quando as manobras iniciais não bastam, especialmente em sangramento de origem uterina ou placentária. A ideia é simples: o balão ocupa a cavidade uterina e faz compressão interna, ajudando a estancar o fluxo até que a situação seja controlada. É aquele tipo de recurso que entra em cena quando o útero está sangrando e você precisa ganhar tempo com eficiência. Ele é muito útil, por exemplo, em hemorragia por atonia uterina e em sangramentos ligados à placenta prévia, inclusive durante cesariana, porque ali o problema costuma ser o leito placentário e a compressão intrauterina pode ser decisiva. Já em sangramento por laceração, o raciocínio muda: se o problema é uma ruptura de trajeto, o tratamento é identificar e suturar a lesão, não “tamponar” o útero. Se houver retenção placentária, o foco é remover o tecido retido. Na prática obstétrica, o balão entra como parte do manejo escalonado da hemorragia pós-parto, após medidas como massagem uterina, uterotônicos e correção da causa. Isso é compatível com as recomendações clássicas de manejo da hemorragia pós-parto em diretrizes obstétricas, que reservam o tamponamento intrauterino para situações em que há sangramento uterino persistente e controle mecânico pode ser necessário. Por isso, o gabarito é a letra B: hemorragia relacionada à placenta prévia durante uma cesariana é uma situação em que o balão pode ser justificado como recurso de tamponamento. As demais alternativas descrevem cenários em que a causa do sangramento pede outra abordagem primeiro.