O diabetes mellitus tipo 2 (DM2), uma doença de etiologia multifatorial, está associado a predisposição genética, idade avançada, excesso de peso, sedentarismo e hábitos alimentares não saudáveis, tendo evolução insidiosa e podendo permanecer assintomático por vários anos após o diagnóstico. É importante o seguimento regular para avaliação da efetividade do tratamento e da evolução da doença e suas possíveis complicações. No que se refere à periodicidade de exames para o acompanhamento, é correto afirmar que pacientes com DM2 devem realizar:
- A)perfil lipídico no diagnóstico e semestralmente;
Errada: o perfil lipídico não é, em regra, semestral para todos os pacientes com DM2; costuma ser avaliado no diagnóstico e depois de forma periódica, geralmente anual, conforme o risco cardiovascular e o tratamento.
- B)glicemia de jejum ao menos três vezes/ano;
Errada: a glicemia de jejum isolada não é o exame padrão de acompanhamento com essa frequência fixa, porque a HbA1c é mais adequada para monitorar o controle global do diabetes.
- C)hemoglobina glicosilada (HbA1c) ao menos duas vezes/ano;
Certa: em paciente com DM2 e controle estável, a HbA1c deve ser feita ao menos 2 vezes ao ano; se o controle estiver ruim ou houver ajuste terapêutico, a frequência pode ser maior.
- D)fundoscopia bienalmente;
Errada: o exame oftalmológico não é bienal de rotina; o rastreio de retinopatia diabética costuma ser anual ou conforme o risco e a evolução clínica.
- E)creatinina semestralmente.
Errada: a creatinina e a avaliação da função renal devem ser monitoradas, em geral, ao menos anualmente, e não apenas semestralmente de forma obrigatória para todos.
Gabarito: C
No acompanhamento do diabetes mellitus tipo 2, o que manda é a vigilância regular, porque a doença pode ficar silenciosa e as complicações aparecem sem fazer barulho. Entre os exames de rotina, a hemoglobina glicosilada (HbA1c) é o principal marcador de controle crônico, pois reflete a média glicêmica dos últimos 2 a 3 meses. Em paciente com controle estável, a recomendação clássica é dosar HbA1c ao menos 2 vezes ao ano; se o controle estiver inadequado ou houver mudança terapêutica, a avaliação costuma ser mais frequente, em geral a cada 3 meses. Isso é compatível com as diretrizes usuais de acompanhamento do DM2, incluindo as da Sociedade Brasileira de Diabetes e sociedades internacionais. Por isso, o gabarito é a letra C. A questão cobra periodicidade de seguimento, e a HbA1c é justamente o exame mais útil para acompanhar a resposta ao tratamento ao longo do tempo. Diferentemente da glicemia de jejum isolada, ela dá uma visão mais estável do controle glicêmico e evita que você seja enganado por uma medida pontual "bonitinha" no dia do exame. Os outros exames também entram no acompanhamento, mas em periodicidades diferentes. Perfil lipídico, função renal e avaliação oftalmológica têm recomendação de periodicidade própria, geralmente anual, e podem ser antecipados conforme o risco e os achados clínicos. Em prova, a banca gosta de misturar exames de rastreio e de monitorização para ver se você troca a frequência. Aqui, a ideia central é: HbA1c faz parte do controle regular do DM2 e, quando o paciente está estável, deve ser feita pelo menos duas vezes por ano.