Você recebeu um paciente para avaliação e tratamento de uma síndrome de dor crônica benigna. Nesse caso, você deve dar as recomendações a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Alterar a dose da medicação narcótica para regular em vez de SOS.
Certa, pois em dor crônica o uso regular pode ser mais adequado do que apenas SOS, evitando oscilações de analgesia.
- B)Usar antidepressivo tricíclico ou anti-inflamatório não esteroide.
Certa, porque antidepressivos tricíclicos e AINEs são opções clássicas no manejo multimodal da dor crônica.
- C)Avaliar a possibilidade de indicação cirúrgica.
Certa, já que sempre deve ser reavaliada a existência de causa corrigível ou indicação cirúrgica em alguns casos.
- D)Minimizar a atividade física do paciente para minimizar a dor.
Errada, porque minimizar a atividade física em geral piora a função e não é a orientação recomendada para dor crônica benigna.
- E)Orientar o paciente em relação às expectativas e aos possíveis resultados.
Certa, pois orientar expectativas e resultados ajuda na adesão e evita frustração com metas irreais.
Gabarito: D
Na dor crônica benigna, a ideia central não é "apagar" a dor a qualquer custo, e sim controlar sintomas, preservar função e evitar dependência de opioides. Por isso, o tratamento costuma ser multimodal: orientação clara ao paciente, expectativa realista de melhora, uso de adjuvantes como antidepressivos tricíclicos e, quando indicado, anti-inflamatórios não esteroides. Em muitos casos, o remédio analgésico deve ser ajustado em esquema regular, e não apenas como SOS, para evitar picos e vales de dor. Também vale lembrar que a avaliação deve ser ampla, incluindo a possibilidade de causa tratável ou até indicação cirúrgica, dependendo do quadro. Dor crônica não é sinônimo de resignação: se houver uma lesão passível de correção, isso precisa ser considerado. O ponto mais importante da questão é que, na dor crônica, você não deve recomendar reduzir a atividade física do paciente como estratégia para "poupar" a dor. Pelo contrário, em geral a manutenção ou adaptação gradual da atividade é parte do cuidado, porque imobilidade costuma piorar condicionamento, humor e percepção dolorosa. Então a letra D está errada e é a exceção pedida. Em resumo: dor crônica benigna pede abordagem integrada, educação do paciente e tratamento funcional, não uma vida em modo econômico de movimento.