Uma mulher de 61 anos, sem uso de reposição hormonal e com diagnóstico recente de diabetes mellitus tipo II, apresenta sinais de hirsutismo de aparecimento repentino e altos índices de testosterona sérica. Realizou ultrassonografia que evidenciou ovários com volumes aumentados e endométrio de 8 mm. O diagnóstico mais provável e a conduta são:
- A)corpo-lúteo; observação clínica;
Errada: corpo-lúteo não explica hiperandrogenismo importante em mulher de 61 anos, muito menos com testosterona alta e ovários aumentados.
- B)hiperplasia de adrenal; estrogênio;
Errada: hiperplasia adrenal costuma cursar com origem adrenal do excesso androgênico, mas o quadro e a ultrassonografia apontam mais para causa ovariana.
- C)Endometrioma; análogo de GnRH;
Errada: endometrioma não é a explicação para virilização, testosterona elevada e aumento bilateral do volume ovariano nessa paciente.
- D)teratoma ovariano; histerectomia;
Errada: teratoma ovariano pode ser achado ovariano, mas não é a hipótese mais provável para esse padrão de hiperaandrogenismo na pós-menopausa.
- E)hipertecose ovariana; ooforectomia bilateral.
Certa: hipertecose ovariana é causa clássica de hiperandrogenismo pós-menopausa e o tratamento definitivo é a ooforectomia bilateral.
Gabarito: E
Em uma mulher na pós-menopausa, o surgimento recente de hirsutismo, testosterona sérica alta e aumento do volume ovariano acendem uma luz amarela bem forte para produção androgênica de origem ovariana. Nessa faixa etária, isso não é "apenas um desequilíbrio hormonal da idade": é preciso pensar em causa ovariana, especialmente quando a virilização aparece de forma rápida. A hipertecose ovariana é justamente essa produção excessiva de andrógenos pelo ovário, com estroma ovariano luteinizado e frequentemente aumento bilateral dos ovários. Ela pode cursar com hirsutismo, acne, voz mais grave e, em muitos casos, associação com resistência insulínica e diabetes tipo 2, o que combina bem com o caso. Outro dado importante é o endométrio de 8 mm na pós-menopausa, sugerindo estímulo estrogênico periférico por aromatização dos andrógenos em tecido adiposo, algo que também pode aparecer nesse contexto. Ou seja: excesso de andrógenos ovarianos, conversão periférica e sinais clínicos típicos formam o pacote da hipertecose. A conduta é a ooforectomia bilateral, que trata a fonte do hiperandrogenismo e resolve o quadro em definitivo. Em mulher pós-menopausa, com sintomas e exames compatíveis, não é caso de ficar só observando nem de tratar como algo adrenal ou de lesão benigna isolada. O raciocínio aqui é ginecologia pura e sem drama: ovário produzindo hormônio demais, remove-se o problema na origem.