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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Paciente masculino, 48 anos, com IMC de 38, em investigação de fadiga e dor abdominal vaga, foi diagnosticado por ultrassonografia com esteatose hepática. O paciente nega o uso sistemático de bebidas alcoólicas. Os marcadores virais foram negativos. O exame de elastografia foi inconclusivo. Optou-se por biópsia por agulha que confirmou tratar-se de esteato-hepatite não alcoólica (NASH). Em relação ao caso, as seguintes afirmativas estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.

Gabarito: E

A esteato-hepatite não alcoólica (NASH) faz parte do espectro da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica e aparece, em geral, em pacientes com obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2, dislipidemia e síndrome metabólica. Ou seja, não é uma surpresa em um paciente com IMC 38 e esteatose confirmada na biópsia: o fígado está reclamando do pacote metabólico inteiro. O ponto central da questão é que o tratamento vai muito além de "passar um remédio". A base é perda de peso, atividade física regular e controle agressivo dos fatores de risco cardiovascular. Isso porque a principal causa de mortalidade nesses pacientes não é, em regra, o fígado em si, mas eventos cardiovasculares. Então, cuidar do coração aqui não é detalhe, é parte do tratamento da doença hepática. A alternativa E erra ao dizer que estatinas seriam um risco para pacientes com doença hepática e que o manejo deve ser baseado em atividade física, dieta e metformina. Na prática, as estatinas são consideradas seguras na maioria dos pacientes com esteatose/NASH e são recomendadas quando há indicação cardiovascular. A metformina pode ajudar no controle metabólico, mas não é tratamento específico eficaz para NASH histológica. Em diretrizes como as da AASLD, o foco é perda ponderal, exercício e tratamento das comorbidades, não a exclusão rotineira de estatinas. Na cirurgia bariátrica, quando bem indicada, a perda de peso costuma ser a mais potente entre as estratégias e pode melhorar bastante a esteatose e as comorbidades metabólicas. Portanto, a prova cobra exatamente esse raciocínio: identificar o eixo metabólico da doença e não cair na armadilha de tratar estatina como vilã do fígado.

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