O paciente com diabetes mellitus sem um tratamento eficaz está sujeito a diversas complicações. Em relação aos aspectos do tratamento e às complicações, assinale a afirmativa correta.
- A)Nos estudos de monitorização intensiva de glicose em pacientes mais idosos com diabetes mellitus tipo 2, o controle glicêmico muito intensivo pôde levar à maior mortalidade.
Certa: em pacientes mais idosos com DM2, controle glicêmico muito intensivo pode aumentar eventos adversos e mortalidade, como visto no estudo ACCORD.
- B)Metformina é o hipoglicemiante oral mais utilizado no tratamento do diabetes mellitus do tipo 2 devido à sua praticidade, já que pode ser usado mesmo em pacientes com insuficiência renal ou hepática.
Errada: a metformina é muito usada no DM2, mas não deve ser encarada como segura em insuficiência renal ou hepática significativa.
- C)Ao contrário do que ocorre no paciente com diabetes mellitus tipo 1, a terapia com insulina nunca faz parte do tratamento inicial do diabetes mellitus do tipo 2.
Errada: a insulina pode fazer parte do tratamento inicial do DM2 em situações de descompensação, hiperglicemia grave ou sintomas catabólicos.
- D)A retinopatia diabética, que aparece ao fim da primeira década de hiperglicemia ou no início da segunda década, causa perda visual, mas, felizmente, quase nunca leva à cegueira.
Errada: a retinopatia diabética pode levar à cegueira, especialmente quando não diagnosticada e tratada a tempo.
- E)A microalbuminúria que ocorre na nefropatia diabética deve ser tratada com controle glicêmico e diuréticos; os agentes inibidores da enzima conversora de angiotensina devem ser evitados.
Errada: na nefropatia diabética, IECA ou BRA costumam ser aliados importantes, e não medicamentos a evitar.
Gabarito: A
No diabetes mellitus, o problema não é só “glicose alta no exame”. Quando o controle é ruim por muito tempo, aumentam complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia) e também o risco cardiovascular. Por isso, tratar bem o diabetes é uma corrida de longo prazo, não um tiro de 100 metros. A alternativa correta é a que lembra um ponto importante dos estudos de controle glicêmico intensivo em pessoas mais velhas com diabetes tipo 2: exagerar na meta, especialmente usando esquemas muito agressivos, pode aumentar eventos adversos e até mortalidade. Isso foi observado em estudos clássicos como o ACCORD, em que a estratégia de controle muito intensivo foi associada a maior mortalidade em comparação com o controle padrão. As demais alternativas trazem erros bem típicos de prova. Metformina é, sim, muito usada no diabetes tipo 2, mas não é “livre para todo mundo”: há restrições importantes em insuficiência renal e em algumas situações de doença hepática, por risco de acidose láctica. Já a insulina pode entrar no tratamento do diabetes tipo 2, inclusive no início, quando há hiperglicemia importante, sintomas catabólicos ou descompensação. Na nefropatia diabética, microalbuminúria pede controle glicêmico, pressão bem tratada e, em geral, uso de IECA ou BRA quando indicados, porque eles ajudam a proteger o rim. Diurético não substitui isso, e dizer para evitar IECA é o oposto do que costuma ser cobrado. Na retinopatia, a perda visual pode, sim, evoluir para cegueira se não houver prevenção e tratamento adequados.