Paciente teve o diagnóstico de hipertensão intracraniana benigna ou pseudotumor cerebri. Assinale a opção, dentre as abaixo, que melhor descreve, em geral, o perfil de paciente com esse diagnóstico.
- A)Paciente idosa feminina, com cefaleia cronica em uma área circunscrita do crânio, cuja forma é elíptica
Errada, porque descreve uma cefaleia circunscrita e crônica em idosa, algo que não é o perfil típico da hipertensão intracraniana idiopática.
- B)Adulto jovem masculino, com cefaleia holocraniana em pressão de leve intensidade.
Errada, porque o quadro não é o de adulto jovem masculino com cefaleia holocraniana leve, faltando os sinais clássicos de hipertensão intracraniana.
- C)Adulta feminina, com cefaleia hemicraniana, pulsátil, esporádica, que se acompanha de náuseas e vômitos relacionada com a ingesta de vinho tinto.
Errada, porque isso sugere migrânea, especialmente pela cefaleia pulsátil, náuseas, vômitos e gatilho com vinho tinto.
- D)Paciente masculino, 60 anos, com cefaleia noturna, retrorbitária esquerda, excruciante, com rinorreia, lacrimejamento e edema palpebral também à esquerda.
Errada, porque descreve cefaleia em salvas, com dor retro-orbitária intensa, sintomas autonômicos e predomínio em homem mais velho.
- E)Paciente feminina, obesa, com cefaleia occipital que piora quando assume a posição supina, além de papiledema associado a tinnitus.
Certa, porque o perfil típico é de mulher obesa com cefaleia pior em decúbito, papiledema e zumbido pulsátil, compatível com hipertensão intracraniana idiopática.
Gabarito: E
A hipertensão intracraniana benigna, também chamada de pseudotumor cerebri ou hipertensão intracraniana idiopática, é o quadro clássico de aumento da pressão intracraniana sem massa cerebral, hidrocefalia ou outra causa estrutural evidente. O perfil mais típico é de mulher jovem, frequentemente obesa, com cefaleia que pode piorar ao deitar, além de sinais de hipertensão intracraniana, especialmente papiledema. Pode haver também zumbido pulsátil (tinnitus) e queixas visuais, como visão turva ou escurecimentos transitórios. O ponto central da questão é reconhecer o padrão clínico. Não é uma cefaleia em “pressão leve” genérica, nem uma migrânea clássica, nem uma cefaleia em salvas. Aqui a pista valiosa é a combinação de obesidade, sexo feminino, cefaleia que piora em posição supina e papiledema. Isso é praticamente o cartão de visita da hipertensão intracraniana idiopática. A fisiopatologia exata não é totalmente fechada, por isso o nome “idiopática”. Na prática, o exame clínico e o fundo de olho ajudam muito: o papiledema é o achado que faz você pensar alto e rápido. Quando a banca joga “tinnitus”, normalmente ela quer que você lembre do zumbido pulsátil associado à pressão intracraniana elevada. Então, se aparecer uma mulher obesa com cefaleia posicional e papiledema, você já pode separar mentalmente o problema das demais cefaleias primárias. É um quadro neurológico que pode ameaçar a visão, então o reconhecimento precoce importa bastante.