A avaliação inicial do paciente com HAS na Unidade de Atenção Primária é composta por: confirmação do diagnóstico, identificação de fatores de risco cardiovascular, suspeita e identificação de causa secundária, avaliação do risco cardiovascular, lesões de órgão-alvo e doenças associadas. Lesão em órgão-alvo (LOA) caracteriza-se pela presença de alterações estruturais e/ou funcionais em artérias ou órgãos, causadas pela elevação da PA. Um exame para rastreio de LOA e estratificação do risco cardiovascular na atenção primária é:
- A)radiografia do tórax;
Errada: radiografia de tórax pode sugerir cardiomegalia, mas não é o exame mais adequado para rastrear lesão de órgão-alvo na HAS na atenção primária.
- B)sódio plasmático;
Errada: sódio plasmático é útil na avaliação laboratorial geral e em suspeita de causas secundárias, mas não rastreia LOA de forma específica.
- C)potássio plasmático;
Errada: potássio plasmático também é exame laboratorial de apoio, especialmente em investigação de causas secundárias ou uso de fármacos, não de lesão de órgão-alvo.
- D)curva glicêmica;
Errada: curva glicêmica avalia metabolismo glicídico e risco cardiometabólico, mas não identifica diretamente dano estrutural ou funcional causado pela hipertensão.
- E)ecocardiograma.
Certa: o ecocardiograma detecta hipertrofia ventricular esquerda e outras alterações cardíacas relacionadas à hipertensão, sendo útil no rastreio de LOA e na estratificação de risco.
Gabarito: E
Na avaliação inicial da hipertensão arterial sistêmica (HAS), a atenção primária não olha só para o valor da pressão. A ideia é enxergar o paciente como um todo: confirmar o diagnóstico, buscar fatores de risco, pensar em causa secundária quando fizer sentido e, principalmente, ver se a pressão já deixou alguma marca no corpo. É aí que entra a lesão em órgão-alvo (LOA): coração, cérebro, rins, retina e vasos podem sofrer alterações estruturais ou funcionais mesmo antes de sintomas óbvios. Para rastrear LOA e ajudar na estratificação do risco cardiovascular, o ecocardiograma é um exame muito útil porque avalia diretamente o coração. Ele permite identificar hipertrofia ventricular esquerda, alteração de função sistólica ou diastólica e outras repercussões da hipertensão. Em outras palavras: ele mostra se o coração já está trabalhando “sob pressão” há tempo demais. Por isso o gabarito é a letra E. Em diretrizes de hipertensão, o ecocardiograma entra como exame complementar para pesquisa de lesão de órgão-alvo, especialmente quando se quer refinar o risco cardiovascular e avaliar dano cardíaco por hipertensão. Não é o exame mais básico de triagem universal em todo paciente, mas é clássico para detectar comprometimento cardíaco subclínico. Já exames como sódio, potássio e glicemia ajudam muito na avaliação clínica geral e na identificação de causas ou comorbidades, mas não são o melhor exemplo de rastreio direto de LOA. A banca gosta justamente dessa diferença: uma coisa é investigar fatores associados e outra é documentar o estrago que a HAS pode ter causado.