Sobre a granulomatose eosinofílica com poliangeíte (GEPA), é correto afirmar que
- A)caracteriza-se por vasculite de grandes vasos, com asma grave e rinossinusite crônica sem pólipos.
Errada, porque a GEPA é vasculite de pequenos e médios vasos e costuma cursar com asma e rinossinusite crônica, muitas vezes com pólipos, não sem pólipos.
- B)os níveis de eosinófilos são elevados na mucosa respiratória e séricos normais.
Errada, porque a eosinofilia costuma estar elevada no sangue periférico e também nos tecidos, não apenas na mucosa respiratória com níveis séricos normais.
- C)associa-se a alterações renais, neuropatia, aumento sérico de IgE, da proteína C reativa e da velocidade de hemossedimentação.
Certa, pois a GEPA pode cursar com acometimento renal, neuropatia periférica e aumento de IgE, PCR e VHS, refletindo inflamação sistêmica.
- D)o agente etiológico mais frequente é o Blastocystis hominis.
Errada, porque Blastocystis hominis não é o agente etiológico da GEPA, que é uma vasculite imunomediada e não uma infecção parasitária.
- E)o diagnóstico é por biópsia tecidual com coloração álcool-ácido resistente negativa e partículas de enxofre nas coleções purulentas.
Errada, porque essa descrição lembra actinomicose, com grânulos de enxofre, e não GEPA; a biópsia na GEPA mostra vasculite eosinofílica/granulomatosa.
Gabarito: C
A granulomatose eosinofílica com poliangeíte (GEPA), antes chamada de síndrome de Churg-Strauss, é uma vasculite associada a ANCA que costuma aparecer em paciente com asma, rinite/rinossinusite e eosinofilia. A ideia central é esta: primeiro vem um quadro alérgico-eosinofílico, depois podem surgir manifestações vasculíticas sistêmicas. É uma doença que adora sair do nariz e do pulmão para dar trabalho em outros órgãos, então vale pensar nela quando há asma de início ou piora recente com eosinofilia importante. O gabarito está na alternativa C porque a GEPA pode se associar a acometimento renal, neuropatia periférica, aumento de IgE e marcadores inflamatórios como proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação. Esses achados refletem a inflamação sistêmica da vasculite e ajudam a compor o quadro clínico, embora o diagnóstico não dependa de um único exame laboratorial. Na prática, você deve lembrar que a GEPA não é vasculite de grandes vasos, e sim de pequenos a médios vasos. Outro detalhe clássico é a eosinofilia periférica e tecidual, frequentemente bem marcada, além do contexto de asma e doença sinonasal crônica, muitas vezes com pólipos. Em livros e revisões de otorrino e reumatologia, esse é o trio que costuma aparecer como pista: asma, eosinofilia e vasculite. O diagnóstico é clínico-laboratorial e pode ser apoiado por biópsia, mas a lesão histológica típica mostra vasculite necrotizante eosinofílica e granulomas, não sinais de infecção específica. Em prova, se a alternativa misturar GEPA com parasitose, actinomicose ou vasculite de grandes vasos, acenda o alerta vermelho.