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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Uma paciente com gestação de 10 semanas teve sangramento vaginal e realizou ultrassonografia. O exame observou gestação tópica, com feto apresentando malformações e placenta espessada com múltiplas imagens anecoicas em seu interior. A dosagem de beta-HCG foi de 500.000 mUI/mL. Ao ser coletado o cariótipo desse feto, o resultado será:

Gabarito: B

O quadro descrito aponta para mola hidatiforme parcial: há feto presente, mas com malformações, placenta espessada e cheia de áreas anecoicas, além de beta-hCG muito elevado. Esse conjunto é quase um cartão de visita da triploidia, geralmente do tipo 69,XXX ou 69,XXY, que surge quando há um conjunto extra de cromossomos no concepto. Na prática, a diferença entre mola completa e parcial cai muito em prova. Na mola completa, em geral não há embrião viável e o material genético costuma ser exclusivamente paterno, enquanto na parcial existe tecido fetal e a alteração cromossômica mais típica é a triploidia. Por isso o cariótipo do feto, aqui, tende a mostrar triploidia. O beta-hCG muito alto também ajuda: em lesões trofoblásticas gestacionais ele pode ficar bem acima do esperado para a idade gestacional, e a ultrassonografia mostra a placenta com aspecto multicístico, tipo "tempestade de neve" ou "cacho de uva", como gostam de descrever. Não é um quadro de aneuploidia clássica isolada, como trissomia 21 ou 18, nem de monossomia X. Resumo de prova: feto com malformações + placenta cística espessada + hCG absurdamente elevado = suspeite de mola parcial e pense em triploidia. É aquele tipo de questão em que a placenta "fala" mais alto que o feto.

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