Você atende no ambulatório, menina de 6 anos que dificuldade para evacuar, com frequência reduzida, além de fezes na Escala I de Bristol. Ela evacua, em média, duas vezes por semana e frequentemente se queixa de dor abdominal, especialmente durante as evacuações com sangramento ocasional ao se limpar. Além disso, a mãe refere que as fezes rotineiramente obstruem o vaso sanitário. O critério de Roma IV adequado para diagnosticar constipação intestinal funcional nessa paciente, é:
- A)a presença de fezes grandes e impactadas e dificuldade para evacuar sem história de evacuação dolorosa.
Errada, porque fezes grandes e impactadas podem ocorrer, mas a alternativa nega a evacuação dolorosa, que é um achado comum e importante no quadro.
- B)evacuação frequente (mais de três vezes por semana), com fezes líquidas e dor abdominal crônica.
Errada, porque descreve evacuação frequente e fezes líquidas, o que vai na direção oposta da constipação funcional.
- C)dor abdominal de no mínimo 4 dias por mês, relacionada à defecação e que não melhoram após a resolução da constipação.
Errada, porque esse enunciado lembra mais dor abdominal funcional ou síndrome do intestino irritável, e não os critérios centrais de constipação.
- D)sistema digestivo normal com queixas persistentes de dor abdominal sem relação com a frequência ou características das fezes.
Errada, porque fala em dor abdominal sem relação com frequência ou consistência das fezes, o que não define constipação funcional.
- E)presença de evacuação menos de três vezes por semana, fezes endurecidas, dor abdominal, e história de evacuação dolorosa.
Certa, porque reúne baixa frequência evacuatória, fezes endurecidas e evacuação dolorosa, compatíveis com os critérios clínicos de constipação intestinal funcional no Roma IV.
Gabarito: E
A constipação intestinal funcional na criança, pelo Roma IV, é um diagnóstico clínico: você não precisa de exames para “provar” o problema quando a história já encaixa. Em crianças com desenvolvimento intestinal já estabelecido, os critérios incluem evacuação em frequência reduzida, fezes endurecidas, evacuação dolorosa, história de retenção, grande volume fecal e até fezes tão volumosas que podem obstruir o vaso sanitário. Nesta menina de 6 anos, o quadro é bem típico: evacua menos de 3 vezes por semana, tem fezes tipo 1 na Escala de Bristol, dor ao evacuar, sangramento ao limpar e fezes grandes o bastante para entupir o vaso. Isso praticamente acende a luz de “constipação funcional” sem precisar de malabarismo diagnóstico. O gabarito é a letra E porque ela reúne os elementos mais característicos do Roma IV para constipação em criança: baixa frequência evacuatória, fezes endurecidas e dolorosas. A dor para evacuar é especialmente importante, porque leva à retenção voluntária, que piora ainda mais a constipação e cria o famoso ciclo vicioso. Vale lembrar a pegadinha clássica: Roma IV não exige dor abdominal crônica como critério principal de constipação. Dor abdominal pode aparecer, mas o núcleo do diagnóstico é o padrão evacuatório e as características das fezes. Em provas, a banca costuma misturar constipação com síndrome do intestino irritável para confundir você.