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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Uma mulher com histórico de oftalmoplegia externa progressiva, fraqueza muscular, intolerância ao exercício e diabetes mellitus procura aconselhamento genético. Ela relata que sua mãe, falecida por cardiomiopatia, e seu irmão também apresentam sintomas semelhantes, embora com gravidade variável. O irmão ainda apresenta ainda a pele bastante escurecida, de forma progressiva. Considerando o padrão de herança observado e as manifestações clínicas, a explicação genética mais provável, entre as elencadas, é herança

Gabarito: D

O quadro descreve uma doença mitocondrial clássica: oftalmoplegia externa progressiva, fraqueza muscular, intolerância ao exercício, diabetes e cardiomiopatia em familiares pela linha materna. Em herança mitocondrial, o DNA mitocondrial vem praticamente todo da mãe, então homens e mulheres podem adoecer, mas só a mulher transmite para a descendência. Isso já acende o alerta de prova: quando a história “passa pela mãe” e afeta vários órgãos que gastam muita energia, pense em mitocôndria. O detalhe que faz a diferença aqui é a heteroplasmia. A célula pode ter mistura de mitocôndrias normais e mutadas, e a proporção dessas mitocôndrias varia entre tecidos e entre parentes. Por isso a gravidade é variável: um familiar pode ter quadro leve, outro mais grave, outro com manifestações diferentes. É quase como uma loteria molecular, só que sem prêmio. A oftalmoplegia externa progressiva e a fraqueza muscular combinam muito com doenças mitocondriais, e a cardiomiopatia também é uma pista forte. Em algumas síndromes mitocondriais, podem ocorrer endocrinopatias, como diabetes, e alterações pigmentares, o que reforça o espectro clínico amplo. A banca costuma cobrar exatamente essa ideia: herança materna + acometimento multissistêmico + gravidade variável = heteroplasmia. Então, o gabarito D está correto porque a explicação genética mais provável é herança mitocondrial com heteroplasmia, e não um padrão mendeliano clássico. Em genética médica, quando o pedigree parece “seguir a mãe” e os sintomas mudam de intensidade de pessoa para pessoa, a mitocôndria entra em cena sem pedir licença.

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