Paciente de 33 anos do sexo feminino dá entrada no prontosocorro com dor abdominal e é diagnosticada com pancreatite aguda de etiologia biliar. Solicitada internação hospitalar, além de prescrição de dieta zero, hidratação e sintomáticos. Antes de subir à enfermaria, 12h após solicitada a internação, evolui com oligúria, piora da função renal e hipotensão refratária a expansão volêmica, sendo iniciada noradrenalina a 0,15mcg/kg/min. Além de conversão da vaga para unidade de terapia intensiva e passagem de acesso venoso central, a melhor conduta, entre as elecadas a seguir, seria
- A)iniciar meropenem.
Errada, porque meropenem não é indicado de rotina na pancreatite aguda sem evidência de infecção.
- B)iniciar piperacilina-tazobactam.
Errada, pois piperacilina-tazobactam também não deve ser iniciado apenas pela gravidade hemodinâmica do quadro.
- C)iniciar ceftriaxona e metronidazol.
Errada, porque ceftriaxona com metronidazol só faria sentido se houvesse foco infeccioso definido, o que não foi descrito.
- D)iniciar ciprofloxacino e metronidazol.
Errada, já que ciprofloxacino com metronidazol não é tratamento empírico padrão da pancreatite aguda sem infecção associada.
- E)não iniciar antimicrobianos neste momento.
Certa, porque a pancreatite aguda não exige antimicrobianos na ausência de suspeita de infecção, mesmo com piora orgânica e choque.
Gabarito: E
Na pancreatite aguda, o tratamento inicial costuma ser suporte clínico: analgesia, hidratação, jejum e vigilância de sinais de gravidade. Antibiótico não entra na rotina só porque o quadro ficou feio. A regra prática é simples: pancreatite aguda por si só não é indicação de antimicrobianos, mesmo quando há resposta inflamatória intensa, hipotensão ou disfunção orgânica. O que muda o jogo é suspeita de infecção documentada ou forte evidência de complicação infecciosa, como colangite, pneumonia, ITU ou necrose pancreática infectada.