Paciente masculino de 40 anos, apresentando linfonodos aumentados e palpáveis, de consistência fibroelástica, nas regiões cervical, supraclavicular e inguinal, relatou perda ponderal nos últimos 6 meses (perda > 10% do peso inicial) e passou a ter sudorese noturna profusa, com febre acima de 38 °C. Realizada biopsia linfonodal, foram identificadas células de Reed-Sternberg. O exame padrão-ouro para a avaliação inicial desse paciente é:
- A)biópsia de medula óssea;
Errada, porque a biópsia de medula óssea não é o melhor exame inicial para estadiamento do linfoma de Hodgkin na era do PET-CT.
- B)mielograma;
Errada, porque o mielograma não é exame padrão para avaliar extensão inicial desse linfoma e tem utilidade muito limitada nesse contexto.
- C)TC com contraste de pescoço, abdômen e tórax;
Errada, porque a TC com contraste ajuda na avaliação anatômica, mas não é o padrão-ouro para estadiamento inicial quando o PET-CT está disponível.
- D)PET-CT de corpo inteiro;
Certa, porque o PET-CT de corpo inteiro é o exame de escolha para o estadiamento inicial do linfoma de Hodgkin, com alta sensibilidade para doença nodal e extranodal.
- E)velocidade de hemossedimentação (VHS).
Errada, porque a VHS pode ter valor prognóstico ou de acompanhamento em alguns casos, mas não substitui exame de imagem para definir a extensão da doença.
Gabarito: D
O quadro descreve linfoma de Hodgkin clássico: linfonodos aumentados, sintomas B (perda ponderal, febre e sudorese noturna) e presença de células de Reed-Sternberg. Depois da confirmação histológica, a etapa inicial mais importante não é sair pedindo exame de medula ou VHS como se fossem estrelas do processo. O objetivo agora é estadiar a doença e mapear a extensão do acometimento, porque isso define prognóstico e tratamento. Nessa fase, o exame padrão-ouro para a avaliação inicial é o PET-CT de corpo inteiro. Ele combina informação anatômica e metabólica, detectando áreas de doença ativa em linfonodos e em sítios extranodais com alta sensibilidade, sendo o melhor exame para o estadiamento inicial e para guiar a conduta. Em linfoma de Hodgkin, o PET-CT também é muito útil para identificar doença que pode passar batida em exames apenas morfológicos. A tomografia com contraste ainda tem papel importante na avaliação anatômica, mas sozinha não supera o PET-CT para estadiamento metabólico inicial. Já mielograma e biópsia de medula óssea ficaram bem menos centrais na abordagem moderna, e a biópsia de medula é reservada para situações selecionadas. VHS pode até entrar como marcador prognóstico em alguns contextos, mas não faz o mapa da doença, então não é o exame-chave da pergunta. Em resumo: confirmou Hodgkin com Reed-Sternberg? Agora o raciocínio é estadiar corretamente. E, nesse jogo, o PET-CT de corpo inteiro leva vantagem com folga.