A dissecção aórtica (DA) resulta da clivagem longitudinal da camada média da aorta por uma coluna dissecante de sangue. Embora inicialmente considerada de natureza não inflamatória, evidências mais recentes sugerem a presença de infiltração de células inflamatórias na degeneração medial. Sobre a dissecção aórtica, analise as afirmativas a seguir. I. Apresenta-se com mesma frequência em homens e mulheres. II. O sexo feminino tem maior probabilidade de apresentar a condição mais tardiamente e com um prognóstico menos favorável. III. É incomum antes dos 40 anos, exceto se associada a doença cardíaca congênita, doença do tecido conjuntivo ou vasculites inflamatórias. Está correto o que se afirma em:
- A)III, apenas;
Errada, porque a III está correta, mas a alternativa ignora que a II também é verdadeira.
- B)I e II, apenas;
Errada, porque a afirmativa I é falsa e a II isoladamente não basta para marcar a opção.
- C)I e III, apenas;
Errada, porque a I é falsa; a dissecção aórtica não acomete homens e mulheres com a mesma frequência.
- D)II e III, apenas;
Certa, porque a II e a III estão corretas, enquanto a I está errada.
- E)I, II e III.
Errada, porque a I é falsa; não há equivalência de frequência entre os sexos.
Gabarito: D
A dissecção aórtica é uma emergência vascular clássica: a parede da aorta se rompe internamente e o sangue abre caminho na camada média, criando um falso trajeto. Na prática, o que mais importa é reconhecer os perfis típicos de risco: hipertensão, idade mais avançada, sexo masculino e doenças do tecido conjuntivo, além de algumas cardiopatias congênitas e vasculites. Essa combinação ajuda muito a entender por que certos pacientes chegam ao pronto-socorro com dor súbita e quadro dramático. A afirmativa I está errada porque a dissecção aórtica não ocorre com a mesma frequência em homens e mulheres. Em geral, os homens são mais acometidos. Já a afirmativa II está correta: o sexo feminino costuma se apresentar mais tardiamente e, em várias séries, evolui com prognóstico menos favorável, muitas vezes porque o diagnóstico atrasa e o quadro pode ser menos suspeitado. A afirmativa III também está correta. Antes dos 40 anos, a dissecção aórtica é incomum, e quando aparece em paciente jovem, o examinador deve pensar em causas predisponentes, como doença cardíaca congênita, síndrome do tecido conjuntivo, como Marfan e Ehlers-Danlos, e vasculites inflamatórias. Isso é bem alinhado com a doutrina clínica clássica de cardiologia e cirurgia vascular. Por isso, o gabarito é a letra D: II e III, apenas. Em prova, a banca gosta de misturar dado epidemiológico com fator de risco e testar se você sabe que a dissecção não é uma doença "igual para todos" nem "de jovem sem motivo".