Paciente feminina, 62 anos, foi submetida à colectomia direita com linfadenectomia à DII para tratamento de adenocarcinoma do cólon. É hipertensa leve, sem outras comorbidades. Uma terapia nutricional imunomoduladora no pré-operatório pode trazer os seguintes benefícios, à exceção de um. Assinale-o.
- A)Favorecer a cicatrização.
Certa: a imunonutrição pode favorecer a cicatrização por melhorar o suporte metabólico e reduzir complicações infecciosas.
- B)Abreviar o tempo de internação.
Certa: em cirurgias digestivas, ela pode abreviar o tempo de internação ao reduzir morbidade pós-operatória.
- C)Diminuir a incidência de fístulas digestivas.
Certa: há redução da incidência de fístulas digestivas em alguns contextos, sobretudo em cirurgia gastrointestinal.
- D)Melhorar a resposta imunológica pela diminuição do CD4.
Errada: a melhora da resposta imunológica não ocorre pela diminuição do CD4, pois isso não representa benefício imune.
- E)Melhorar a resposta inflamatória com diminuição da interleucina 6.
Certa: a imunonutrição tende a modular a inflamação, com redução de mediadores como a interleucina 6.
Gabarito: D
A terapia nutricional imunomoduladora no pré-operatório costuma ser usada em cirurgias gastrointestinais, especialmente em pacientes oncológicos, porque pode ajudar a reduzir complicações infecciosas e melhorar a recuperação. Ela geralmente combina nutrientes como arginina, ômega-3, nucleotídeos e às vezes glutamina, com efeito anti-inflamatório e de suporte à resposta imune. Na prática, a ideia é deixar o paciente “mais preparado” para o trauma cirúrgico, diminuindo o impacto da resposta inflamatória exagerada. Os benefícios esperados incluem menor taxa de infecção, melhor cicatrização, menor ocorrência de fístulas e até redução do tempo de internação em alguns cenários. Isso é especialmente lembrado em pacientes submetidos a cirurgia digestiva de grande porte, como colectomias por câncer colorretal. O erro da alternativa D está em dizer que a resposta imunológica melhora pela diminuição do CD4. Não é essa a lógica: a imunonutrição busca preservar ou modular favoravelmente a função imune, e não piorá-la com queda de linfócitos T CD4. Em geral, a proposta é reduzir a imunossupressão e equilibrar a inflamação, não “cortar” CD4 como se isso fosse ganho terapêutico. A banca costuma cobrar esse tema pelo efeito clínico prático da imunonutrição: menos complicações, menos inflamação e recuperação mais rápida. Então, quando aparecer algo que sugira piora da imunidade para chamar de benefício, desconfie na hora.