Paciente adolescente, do sexo masculino, sofre acidente em competição de mountain bike e dá entrada na emergência trazido pela equipe de resgate. Na avaliação inicial, o paciente se encontra acordado, orientado, hemodinamicamente estável, com múltiplas escoriações no tronco, referindo dor perineal e fratura desalinhada na perna direita. Você observa hematoma em bolsa escrotal e sangue no meato uretral. Ao toque retal, próstata deslocada superiormente. Assinale a melhor conduta para o caso, entras citadas a seguir.
- A)Cistostomia.
Errada, porque a cistostomia pode ser necessária depois, mas não é o primeiro passo quando ainda falta confirmar a lesão uretral em paciente estável.
- B)Cateterismo vesical.
Errada, pois o cateterismo vesical é contraindicado antes de excluir ruptura uretral quando há sangue no meato e outros sinais sugestivos.
- C)Uretrografia retrógrada.
Certa, porque a uretrografia retrógrada é o exame de escolha para suspeita de lesão uretral no trauma.
- D)Radiografia panorâmica de bacia. venoso.
Errada, porque radiografia de bacia pode até ajudar a ver fratura pélvica, mas não avalia diretamente a uretra.
- E)Tomografia computadorizada de pelve com contraste venoso.
Errada, porque a tomografia de pelve não substitui a uretrografia retrógrada para diagnosticar lesão uretral.
Gabarito: C
Em trauma pélvico ou perineal, alguns sinais acendem a luz vermelha na hora: sangue no meato uretral, hematoma escrotal/perineal, próstata alta ao toque retal e dor importante na região. Esse conjunto sugere lesão de uretra, especialmente da uretra posterior, até prova em contrário. E aqui mora a regra de ouro: antes de passar sonda vesical, voce precisa avaliar a uretra. Se houver suspeita de ruptura uretral, sondar no escuro pode piorar a lesão e transformar um problema sério em um problemão. Por isso, a melhor conduta inicial é a uretrografia retrógrada. Ela é o exame de escolha para confirmar ou afastar lesão uretral em paciente estável com sinais sugestivos. O exame mostra se há extravasamento do contraste e ajuda a definir a extensão da lesão, orientando a conduta urológica depois. A presença de sangue no meato uretral é um sinal clássico que praticamente obriga a investigação da uretra antes de qualquer cateterismo. A próstata deslocada superiormente ao toque retal reforça a suspeita de ruptura uretral posterior, típica de trauma pélvico. Em outras palavras: primeiro desenha o mapa da uretra, depois pensa em drenar a bexiga. Na prática, se a lesão for confirmada, o manejo pode variar entre derivação urinária e tratamento definitivo conforme o caso, mas o primeiro passo correto neste enunciado é diagnosticar com uretrografia retrógrada. Esse raciocínio é compatível com a abordagem clássica ensinada em urologia e com a rotina do trauma geniturinário em diretrizes especializadas.