Gestante com 7 semanas inicia quadro de sangramento vaginal. Ao exame especular é observada saída de pequena quantidade de sangue pelo orifício externo do colo e ao toque não foram identificadas alterações. A ultrassonografia evidencia saco gestacional tópico com embrião compatível com a idade gestacional e atividade cardíaca embrionária presente. Diante desse quadro, o mais correto a ser feito é
- A)prescrever repouso absoluto em leito.
Errada: repouso absoluto em leito não é conduta de rotina na ameaça de abortamento e não traz benefício comprovado.
- B)prescrever progesterona por via vaginal.
Errada: a progesterona pode ser discutida em alguns cenários, mas não é a melhor resposta aqui diante de gestação viável e quadro leve.
- C)realizar curetagem uterina.
Errada: curetagem é para abortamento incompleto, retido ou complicações, não para sangramento com embrião vivo.
- D)iniciar indução com misorpostol.
Errada: misoprostol é usado para esvaziamento uterino em aborto, e aqui a gravidez está evoluindo com vitalidade.
- E)tranquilizar a gestante.
Certa: trata-se de ameaça de abortamento com gestação intrauterina viável, então a conduta é orientação e tranquilização.
Gabarito: E
Este quadro é típico de sangramento na gravidez inicial com gestação viável ao ultrassom. Quando existe saco gestacional intrauterino, embrião compatível com a idade gestacional e atividade cardíaca presente, o diagnóstico mais provável é ameaça de abortamento, e a conduta costuma ser conservadora. Nessa situação, o ponto central é afastar sinais de aborto inevitável ou incompleto, como colo dilatado, expulsão de tecido ou ausência de vitalidade embrionária. Como a gestação segue viável, não há indicação de curetagem nem de uso de misoprostol, porque esses métodos são reservados para situações de perda gestacional confirmada ou quando a evolução já é desfavorável. Também não existe base forte para impor repouso absoluto em leito, que não mostrou benefício consistente e ainda pode trazer efeitos ruins, como trombose e ansiedade de paciente em modo alerta máximo. A progesterona vaginal pode aparecer em algumas discussões de suporte em ameaça de abortamento, mas não é a medida mais correta de rotina para este enunciado, especialmente quando o objetivo é reconhecer uma gestação viável e apenas sangramento discreto. O essencial aqui é orientar e acompanhar, sem sair tratando uma situação que, neste momento, ainda é de manutenção da gestação. Por isso, a conduta mais adequada é tranquilizar a gestante, explicar que há vitalidade embrionária e orientar seguimento obstétrico. Em prova, a FGV gosta desse raciocínio: ultrassom com embrião vivo e colo sem alterações costuma pedir serenidade clínica, não intervenção desnecessária.