Em relação ao tratamento da artrite gotosa, assinale a afirmativa correta.
- A)Colchicina não é eficaz na crise de gota, mas é essencial como profilaxia.
Errada, porque a colchicina é eficaz tanto no tratamento da crise aguda quanto na profilaxia de recorrências.
- B)Anti-inflamatórios não esteroidais são reservados para crises de forte intensidade.
Errada, porque os AINEs são primeira linha na crise aguda e não ficam reservados apenas para crises muito intensas.
- C)Losartana e fenofibrato auxiliam na redução do ácido úrico sérico.
Certa, porque losartana e fenofibrato podem reduzir o ácido úrico sérico e ajudar no controle da hiperuricemia.
- D)Alopurinol deve ser utilizado por toda a vida após a crise gotosa, para evitar a cronicidade.
Errada, porque o alopurinol não é obrigatório para toda a vida após uma única crise, e sua indicação depende do contexto clínico.
- E)Corticoides tópicos ou sistêmicos são eficazes quando usados por período prolongado.
Errada, porque corticoides podem ser úteis na crise, mas o tratamento prolongado aumenta riscos e não é a estratégia habitual.
Gabarito: C
Na crise aguda de gota, o objetivo é simples: apagar o incêndio rápido. Os remédios mais usados são os anti-inflamatórios não esteroidais, a colchicina e os corticoides, escolhidos conforme o perfil do paciente e as contraindicações. A ideia não é "curar" a gota na hora, mas controlar a inflamação provocada pelos cristais de urato monossódico nas articulações. Fora da crise, entra em cena o controle do ácido úrico. Aqui, medidas como perda de peso, redução de álcool e ajuste de medicamentos que aumentam urato fazem diferença. Alguns fármacos, embora não sejam os uricosúricos clássicos, ajudam a baixar o ácido úrico sérico por efeito colateral favorável, como a losartana e o fenofibrato. Por isso a alternativa C está correta: a losartana pode aumentar a excreção de urato e reduzir seus níveis, e o fenofibrato também pode diminuir o ácido úrico sérico. Isso é útil em pacientes com hipertensão ou dislipidemia que já precisariam desses medicamentos. É o tipo de detalhe que a banca adora: um remédio para uma coisa, ajudando discretamente na gota também. Vale lembrar que o alopurinol não é regra para "o resto da vida" para todo mundo após uma crise isolada. O tratamento hipouricemiante é individualizado e costuma ser indicado em gota recorrente, tofácea, nefrolitíase por ácido úrico ou hiperuricemia persistente, sempre com acompanhamento. Na crise, inclusive, costuma-se evitar iniciar ou suspender abruptamente o hipouricemiante sem critério, para não bagunçar ainda mais o quadro.