Paciente com 61 anos, Gesta II para II (duas cesarianas) e menopausa aos 50 anos. Fez reposição hormonal até os 52 anos com estrogênio e progesterona associados. Tem feito acompanhamento ginecológico de rotina e exames anualmente, acompanhando por ultrassonografia um mioma estável de 3 cm. Este ano realizou ultrassonografia que evidenciou nódulo hipoecoico em região fúndica do útero, medindo 8 cm. A orientação para essa paciente é:
- A)manter seguimento anual de rotina;
Errada: em pós-menopausa, aumento importante de nódulo uterino não deve ser acompanhado como rotina, porque levanta suspeita de malignidade.
- B)realizar embolização das artérias uterinas;
Errada: embolização é opção para sintoma por mioma benigno em casos selecionados, mas não para massa suspeita de sarcoma.
- C)fazer análogo de GnRH;
Errada: análogo de GnRH pode reduzir mioma benigno, mas não resolve a suspeita oncológica nem substitui investigação cirúrgica.
- D)iniciar hormonioterapia imediatamente;
Errada: hormonioterapia tende a estimular tecido hormônio-dependente e não é conduta para nódulo uterino com suspeita de malignidade.
- E)realizar cirurgia e avaliar tratamento adjuvante.
Certa: crescimento de massa uterina em pós-menopausa sugere neoplasia maligna, exigindo cirurgia para diagnóstico e definição de eventual adjuvância.
Gabarito: E
Em mulher na pós-menopausa, mioma que aumenta de tamanho depois de anos estáveis acende uma luz amarela forte. Mioma uterino comum tende a regredir após a menopausa, porque cai a estimulação estrogênica. Quando aparece crescimento novo, rápido ou um nódulo com aspecto diferente no ultrassom, a preocupação deixa de ser "mioma tranquilo" e passa a ser tumor maligno do músculo liso, sobretudo leiomiossarcoma, até prova em contrário. Neste caso, a paciente tem 61 anos e um nódulo fúndico que passou de 3 cm estável para 8 cm. Esse comportamento é muito suspeito. Por isso, não faz sentido manter apenas observação anual, nem tentar tratamento clínico para algo que pode ser câncer. O caminho correto é cirurgia para ressecção e diagnóstico definitivo anatomopatológico, porque a imagem sozinha não confirma benignidade nem exclui malignidade. Depois da cirurgia, o tratamento adjuvante depende do resultado da patologia, do estadiamento e de fatores como margens, grau e eventual disseminação. Em tumores uterinos suspeitos em pós-menopausa, a regra prática é: primeiro operar, depois pensar em adjuvância. É o tipo de situação em que o útero pede investigação séria, não paciência infinita. Por isso, a alternativa correta é a que orienta cirurgia com avaliação de tratamento adjuvante. As opções hormonais, embolização e seguimento simples são inadequadas diante de crescimento significativo de massa uterina em mulher pós-menopausa.