Mulher, 59 anos, tem diagnóstico de carcinoma endometrioide de endométrio, grau 2 (FIGO), infiltração de 60% do miométrio, ausência de invasão linfovascular, receptor de estrogênio positivo e TP53 positivo com padrão anômalo. Assinale a opção que apresenta a combinação de dados relacionada a mau prognóstico para o caso.
- A)TP53 positivo com padrão anômalo e infiltração de 60% do miométrio.
Certa, porque TP53 com padrão anômalo e invasão miometrial profunda são fatores clássicos de pior prognóstico no câncer de endométrio.
- B)Ausência de invasão linfovascular e TP53 positivo com padrão anômalo.
Errada, porque a ausência de invasão linfovascular é favorável, apesar do TP53 anômalo ser um marcador ruim.
- C)Receptor de estrogênio positivo e infiltração de 60% do miométrio.
Errada, porque receptor de estrogênio positivo é um achado geralmente favorável, embora a invasão de 60% do miométrio pese contra.
- D)Ausência de invasão linfovascular e receptor de estrogênio positivo.
Errada, porque os dois achados citados são favoráveis e não indicam mau prognóstico.
- E)Grau 2 (FIGO) e receptor de estrogênio positivo.
Errada, porque grau 2 e receptor de estrogênio positivo não formam a combinação de pior prognóstico entre as opções.
Gabarito: A
No carcinoma endometrioide de endométrio, o prognóstico não depende só do nome do tumor, mas de um pacote de achados histológicos e moleculares. Em geral, pioram a evolução: invasão miometrial profunda, invasão linfovascular, grau histológico mais alto e alterações moleculares agressivas, especialmente o padrão anômalo de TP53, que costuma apontar para doença mais agressiva e maior risco de recorrência. Nesta questão, há infiltração de 60% do miométrio, o que já entra como invasão profunda, um fator desfavorável. Além disso, o TP53 positivo com padrão anômalo é outro marcador de mau prognóstico, muito associado aos tumores do grupo p53-abnormal na classificação molecular. Esses achados pesam mais do que características favoráveis isoladas, como receptor de estrogênio positivo. O receptor de estrogênio positivo, aliás, costuma ser um sinal mais tranquilo, porque indica tumor mais parecido com o padrão endometrioide clássico, geralmente mais responsivo hormonalmente e menos agressivo. A ausência de invasão linfovascular também é um dado bom, porque reduz o risco de disseminação. Ou seja, o enunciado misturou peças boas e ruins para testar se você sabe separar o que puxa o prognóstico para cima e para baixo. Por isso, a combinação que realmente reúne dois fatores de mau prognóstico é a da alternativa A: TP53 com padrão anômalo e invasão miometrial de 60%. Em patologia ginecológica, esse tipo de leitura é muito cobrado em prova: você olha o tumor, mas o p53 anômalo entrega o jogo.