Paciente masculino, 17 anos, foi submetido à herniorrafia inguinal direita pela técnica de Bassini. No 8º dia de pós-operatório retorna ao ambulatório com queixa de dor e inchaço no local da cirurgia. Relata também alguns arrepios de frio e mal-estar. Ao exame observamos que a ferida operatória se encontra edemaciada, hiperemiada, com aspecto de “casca de laranja”, aumento da temperatura local e dor à palpação, sem áreas de flutuação. Está se alimentando e com hábitos fisiológicos preservados. Diante desses achados, a melhor conduta é
- A)drenagem, cuidados locais e anti-inflamatório não hormonal.
Errada, porque drenagem é indicada quando há coleção/abscesso, e aqui não há flutuação nem evidência de pus.
- B)calor local associado à antibioticoterapia tópica e observação.
Errada, porque antibioticoterapia tópica isolada e observação são insuficientes para uma infecção pós-operatória com sinais locais e sistêmicos.
- C)cobertura imediata de antibióticos, calor local e antiinflamatório não hormonal.
Certa, porque o quadro sugere celulite/incisão infectada sem abscesso, pedindo antibiótico sistêmico, calor local e anti-inflamatório.
- D)abertura parcial da incisão, colheita de material para cultura e antibioticoterapia de largo espectro.
Errada, porque abertura parcial da incisão e cultura fazem mais sentido quando há suspeita de coleção ou secreção, o que não foi descrito.
- E)reoperação para desbridamento profundo, antibioticoterapia e cicatrização por segunda intenção associada a cuidados locais.
Errada, porque desbridamento profundo e cicatrização por segunda intenção seriam excessivos para um caso sem necrose, sem deiscência importante e sem abscesso.
Gabarito: C
No pós-operatório, nem todo edema com vermelhidão significa abscesso. Aqui o quadro é bem típico de infecção superficial da ferida, especialmente celulite/celulite incisional: dor, calor, hiperemia, edema e sintomas gerais leves, mas sem flutuação e sem sinal de coleção purulenta. O detalhe importante é justamente esse: sem flutuação, você não pensa primeiro em abrir a ferida para drenar, porque ainda não há coleção organizada para esvaziar. Na prática, quando a ferida está “inflamada e infiltrada”, com aspecto de casca de laranja, o tratamento inicial costuma ser clínico: antibiótico por via sistêmica, calor local e anti-inflamatório não hormonal para conforto e controle da inflamação. A ideia é combater a infecção e acompanhar de perto a evolução, porque uma celulite pode piorar se você subestimar o caso. Se houvesse pus, flutuação ou sinais claros de abscesso, aí sim a conduta mudaria para drenagem e coleta de material. Mas aqui o enunciado foi cuidadoso em dizer que não há áreas de flutuação, então não é caso de abrir a ferida como se estivesse fazendo “faxina cirúrgica” sem necessidade. Por isso, o gabarito é a alternativa C: cobertura imediata com antibióticos, calor local e anti-inflamatório não hormonal. É a conduta mais adequada para infecção superficial incisional sem abscesso, no contexto de um paciente estável, alimentando-se bem e com funções fisiológicas preservadas.