Uma gestante realiza ultrassonografia de rotina e, após o achado, seu obstetra solicita uma ressonância magnética nuclear (RMN) para melhor avaliar o feto. A paciente se sente bastante receosa pelos possíveis riscos desse exame para o seu filho. Sobre esse exame na gravidez, é correto afirmar que:
- A)a RMN ainda não se mostrou eficaz na avaliação da hérnia diafragmática congênita;
Errada, porque a RMN é útil na avaliação da hérnia diafragmática congênita, inclusive para melhor definir conteúdo herniado e volume pulmonar.
- B)a RMN tem algumas limitações para a avaliação de malformações esqueléticas;
Certa, porque a RMN tem limitações na avaliação de malformações esqueléticas fetais, em especial pela dependência da ossificação e pela superioridade prática do ultrassom nesse campo.
- C)o gadolínio não atravessa a barreira placentária, portanto, ele pode ser usado em gestantes;
Errada, porque o gadolínio atravessa a placenta e não deve ser usado rotineiramente na gestação.
- D)a RMN substitui a ultrassonografia obstétrica na avaliação de quase todas as estruturas fetais;
Errada, porque a RMN complementa a ultrassonografia, mas não a substitui na avaliação da maioria das estruturas fetais.
- E)a RMN tem grandes limitações para a adequada avaliação fetal em pacientes obesas.
Errada, porque a RMN costuma ser menos prejudicada pela obesidade materna do que a ultrassonografia.
Gabarito: B
Na gestação, a ressonância magnética nuclear (RMN) entra como exame complementar da ultrassonografia, principalmente quando o ultrassom não conseguiu esclarecer bem uma suspeita fetal. O ponto tranquilo aqui é que a RMN não usa radiação ionizante, então, em geral, é considerada segura na gravidez quando bem indicada, especialmente após o primeiro trimestre. Ela ajuda bastante na avaliação do sistema nervoso central, tórax, abdome e algumas situações complexas, como a hérnia diafragmática congênita. Ou seja, a RMN não está ali para "aposentar" o ultrassom, mas para dar uma visão mais detalhada quando a imagem por USG fica limitada. A alternativa B está correta porque a RMN tem sim limitações para malformações esqueléticas. Isso ocorre porque a avaliação do esqueleto fetal depende muito da ossificação e do detalhe anatômico, áreas em que o ultrassom costuma ser melhor e mais prático. Em outras palavras: para os ossos, o ultrassom continua sendo o aluno aplicado da sala. Atenção ao gadolínio: ele atravessa a barreira placentária e, por isso, não é recomendado de rotina na gestação, sendo reservado apenas para situações excepcionais. Em prova, a lógica é essa: RMN pode complementar, mas não substitui o ultrassom e tem seus limites, especialmente no estudo do esqueleto fetal.