Gestante de 21 semanas, com diabetes gestacional, realiza ultrassonografia morfológica de 2º trimestre que encontra uma massa cística na fossa posterior do cérebro fetal. O ultrassonografista informa que se trata de um remanescente embrionário constituído por uma membrana localizada abaixo do vermis cerebelar e que comumente tem um desenvolvimento neurológico normal. Diante dessa descrição, o diagnóstico mais provável é de:
- A)cisto da bolsa de Blake;
Correta: corresponde ao cisto da bolsa de Blake, um remanescente embrionário da fossa posterior que pode ter bom prognóstico neurológico.
- B)teratoma intracraniano;
Errada: teratoma intracraniano é uma neoplasia fetal rara, não um achado típico de remanescente embrionário da fossa posterior.
- C)megacisterna magna;
Errada: a megacisterna magna é apenas aumento da cisterna magna, com vermis e cerebelo preservados, sem a descrição de membrana subvermal.
- D)malformação de Dandy-Walker;
Errada: a malformação de Dandy-Walker envolve alteração do vermis e da fossa posterior, geralmente com quadro mais complexo e nem sempre bom prognóstico.
- E)ependimoma.
Errada: ependimoma é tumor do SNC, não uma malformação cística embrionária da fossa posterior fetal.
Gabarito: A
Na ultrassonografia do 2º trimestre, massas císticas na fossa posterior do feto pedem uma leitura cuidadosa da anatomia: vermis cerebelar, quarto ventrículo e cisterna magna. Aqui, a pista decisiva foi bem direta: trata-se de um remanescente embrionário formado por uma membrana abaixo do vermis cerebelar, associado com frequência a desenvolvimento neurológico normal. Isso é a cara do cisto da bolsa de Blake. A bolsa de Blake é uma evaginação transitória do quarto ventrículo durante o desenvolvimento embrionário. Quando ela não regride como esperado, pode formar uma dilatação cística na fossa posterior. O detalhe importante é que, apesar de assustar no exame, muitas vezes não vem acompanhado de malformações cerebelares importantes e o prognóstico pode ser bom. Já na malformação de Dandy-Walker, o cenário costuma ser mais dramático: há alteração do vermis cerebelar, aumento da fossa posterior e geralmente hidrocefalia. Ou seja, não é só um cisto bonitinho passeando na ultrassonografia. A megacisterna magna, por sua vez, é uma cisterna magna aumentada, mas com vermis e cerebelo normais, sem o componente típico de membrana/remanescente embrionário descrito no enunciado. Portanto, quando a questão fala em remanescente embrionário, membrana abaixo do vermis e desenvolvimento neurológico comumente normal, o diagnóstico mais provável é cisto da bolsa de Blake. Em prova, essa descrição costuma vir quase como uma assinatura do caso.