Paciente do sexo feminino, de 65 anos, portadora de artrite reumatoide descompensada, apresenta hiperemia localizada em conjuntiva escleral de aspecto nodular, de coloração violácea, de forte intensidade dolorosa à compressão, fixa e sem sinais de processo inflamatório intraocular. Diante desse quadro clínico, a provável patologia apresentada pode ser diagnosticada como:
- A)conjuntivite;
Errada: conjuntivite é inflamação superficial da conjuntiva, geralmente com ardor, secrecao e menos dor profunda.
- B)esclerite;
Certa: a descrição é típica de esclerite, especialmente pela dor intensa, coloração violacea e associação com artrite reumatoide.
- C)blefarite;
Errada: blefarite acomete as bordas palpebrais, com crostas e irritação, e não causa nódulo escleral doloroso.
- D)ceratite;
Errada: ceratite compromete a córnea e costuma cursar com fotofobia, blefaroespasmo e alteração corneana, o que não foi descrito.
- E)uveíte.
Errada: uveíte envolve o trato uveal e costuma ter sinais de inflamação intraocular, como fotofobia e células na câmara anterior.
Gabarito: B
Em artrite reumatoide descompensada, uma causa ocular clássica e importante é a esclerite. Ela costuma aparecer como uma hiperemia localizada, mais profunda, muitas vezes em tom violaceo, com dor intensa e sensibilidade à palpação. Não é aquela vermelhidão “de superfície” que melhora com colírio vasoconstritor; aqui o problema está na esclera, e a dor geralmente chama atenção. A esclerite pode ser anterior ou posterior, e a forma anterior nodular é bem lembrada em prova porque pode formar um nódulo doloroso, fixo e muito desconfortável. Além disso, pode ocorrer em doenças autoimunes, especialmente artrite reumatoide, vasculites e outras colagenoses. Em geral, não há sinais de inflamação intraocular, o que ajuda a separar do quadro de uveíte. O ponto-chave da questão está justamente na descrição: hiperemia nodular, violacea, dolorosa à compressão e sem acometimento intraocular. Isso combina com inflamação escleral, não com conjuntivite ou blefarite, que costumam ser mais superficiais e menos dolorosas. Também não é ceratite, porque nesta haveria comprometimento corneano, fotofobia e alteração da córnea. Em provas de oftalmologia da FGV, vale decorar essa associação: artrite reumatoide + dor ocular intensa + lesão violacea localizada = pense em esclerite. É o tipo de quadro que não pede colírio “para olho vermelho qualquer”, e sim avaliação especializada rápida, porque pode ser grave e associada a doença sistêmica ativa.