A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença de caráter autoimune que acomete primordialmente a mielina da porção proximal dos nervos periféricos de forma aguda/subaguda. Aproximadamente 60% a 70% dos pacientes com SGB apresentam alguma doença aguda precedente. O microrganismo mais frequente nas infecções que precedem a síndrome de Guillain-Barré é o:
- A)campylobacter jejuni;
Correta: Campylobacter jejuni é o agente infeccioso mais frequentemente associado à síndrome de Guillain-Barré, sobretudo após gastroenterite.
- B)HIV;
Errada: HIV pode preceder a síndrome, mas não é o microrganismo mais frequente entre os gatilhos infecciosos.
- C)citomegalovírus;
Errada: citomegalovírus também pode estar associado, porém com menor frequência do que Campylobacter jejuni.
- D)vírus Epstein Barr;
Errada: o vírus Epstein-Barr é um desencadeante possível, mas não o mais comum na síndrome de Guillain-Barré.
- E)vírus influenza A e B.
Errada: influenza A e B podem anteceder a doença, mas ficam atrás do Campylobacter jejuni em frequência.
Gabarito: A
A síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia aguda, geralmente autoimune, em que o sistema imune “se confunde” após uma infecção e passa a atacar estruturas dos nervos periféricos, sobretudo a mielina. Por isso, a história clínica costuma ter um detalhe importante: muitos pacientes relatam uma infecção nas semanas anteriores, como gastroenterite ou quadro respiratório. O quadro clássico é de fraqueza ascendente, arreflexia e possível comprometimento respiratório, então não é para subestimar esse “subindo pelas pernas”. O agente infeccioso mais associado à SGB é o Campylobacter jejuni, especialmente após diarreia infecciosa. A explicação doutrinária mais cobrada é o mecanismo de mimetismo molecular: antígenos do microrganismo se parecem com componentes do nervo periférico, e o anticorpo acaba mirando o alvo errado. É um exemplo clássico de como uma infecção intestinal pode terminar em neuropatia importante. Outros agentes também podem preceder a síndrome, como citomegalovírus, Epstein-Barr, HIV e influenza, mas eles são menos frequentes que o Campylobacter jejuni. Em prova, se a pergunta falar em “o microrganismo mais frequente” entre os precedentes, a escolha costuma ser essa. Em termos práticos, a banca gosta do dado epidemiológico direto, sem rodeios. Então, o gabarito é a letra A porque o Campylobacter jejuni é a infecção antecedente mais comum da síndrome de Guillain-Barré. É um clássico de Neurologia em concurso: infecção recente + fraqueza ascendente + arreflexia = acende a luz amarela imediatamente.