Por suspeita de uma doença pulmonar obstrutiva crônica, um indivíduo de 42 anos será submetido à avaliação funcional por espirometria (teste pré e pós-broncodilatador). Sabendo que o diagnóstico funcional de obstrução ao fluxo de ar apoia-se na relação entre o volume expiratório forçado em 1 segundo e a capacidade vital forçada, assinale a opção que indica o resultado considerado anormal.
- A)Valor inferior a 0,7 pós – broncodilatador.
Certa: VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,7 indica padrão obstrutivo e é o critério clássico para DPOC.
- B)Valor inferior a 1,0 pós – broncodilatador.
Errada: uma relação inferior a 1,0 é muito ampla e inclui muitos valores normais, sem definir obstrução.
- C)Valor inferior a 2,0 pós-broncodilatador.
Errada: valor inferior a 2,0 não faz sentido como ponto de corte para obstrução, pois a relação VEF1/CVF não chega perto disso.
- D)Valor superior a 1,0 pós-broncodilatador.
Errada: relação superior a 1,0 é, em regra, incompatível com a fisiologia esperada da espirometria e não sugere obstrução.
- E)Valor superior a 0,8 pós-broncodilatador.
Errada: relação superior a 0,8 não é anormal por si só; em geral, a preocupação é com valores reduzidos, não elevados.
Gabarito: A
Na espirometria, a obstrução ao fluxo aéreo é avaliada principalmente pela relação entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF), ou seja, o famoso VEF1/CVF. Quando essa relação cai, o ar sai com mais dificuldade, como se as vias aéreas estivessem "apertadas". Em geral, no contexto de suspeita de DPOC, o dado funcional que sustenta obstrução é VEF1/CVF pós-broncodilatador abaixo de 0,70. O detalhe do pós-broncodilatador importa porque ajuda a diferenciar obstrução fixa ou persistente, típica da DPOC, de reduções que melhoram muito com a medicação, como pode ocorrer na asma. Então, a banca quer que você observe o momento da medida: após broncodilatador, a relação continua baixa? Isso aponta para obstrução persistente. A alternativa A está correta porque uma relação inferior a 0,7 após broncodilatador é considerada anormal e compatível com obstrução ao fluxo de ar. Esse é o critério funcional clássico usado nas diretrizes para diagnóstico espirométrico de DPOC, como as recomendações do GOLD. As outras opções trazem valores incompatíveis com o raciocínio da espirometria: acima de 1,0 ou 2,0 não sugere obstrução, e 0,8 ainda fica na faixa que pode ser normal em muitas situações. Aqui, o segredo é simples: relação baixa depois do broncodilatador é o sinal de alerta.