O fragmento de laudo a seguir, refere-se a uma tomografia de coerência óptica da mácula. ...ausência de espaços císticos intraretinianos e presença de uma camada hiperreflexiva e irregular sobre a superfície interna da retina, elevação da depressão foveal e um aspecto corrugado, com fixações semelhantes a pinos na retina... Esse fragmento, sugere a seguinte hipótese diagnóstica mais provável:
- A)oclusão da artéria central da retina.
Incorreta, porque a oclusão da artéria central da retina dá isquemia e edema agudo da retina, não uma membrana hiperreflexiva tracionando a superfície macular.
- B)coroidopatia central serosa.
Incorreta, porque a coroidopatia central serosa costuma mostrar descolamento seroso neurossensorial e líquido sub-retiniano, não camada epirretiniana corrugada.
- C)edema macular do diabético.
Incorreta, porque o edema macular diabético costuma apresentar espessamento retiniano e espaços císticos intraretinianos, justamente ausentes no enunciado.
- D)membrana epirretiniana.
Correta, porque a membrana epirretiniana aparece como camada hiperreflexiva na superfície interna da retina, com tração, corrugação e distorção da fóvea.
- E)oclusão da veia central da retina.
Incorreta, porque a oclusão da veia central da retina causa hemorragias, edema e alterações vasculares difusas, e não essa imagem de tração superficial na OCT.
Gabarito: D
A tomografia de coerência óptica (OCT) da mácula é muito boa para mostrar as camadas da retina em “corte fino”, e isso ajuda a reconhecer padrões clássicos. Quando o laudo descreve ausência de espaços císticos intraretinianos, camada hiperreflexiva e irregular sobre a superfície interna da retina, elevação da depressão foveal e aspecto corrugado com fixações em pinos, o raciocínio vai direto para uma membrana epirretiniana. A ideia é simples: uma película fibrocelular se forma sobre a superfície interna da retina e vai “repuxando” a mácula. Por isso a fóvea perde seu formato normal, a superfície fica enrugada/corrugada e pode haver distorção visual e metamorfopsia. Na OCT, esse aspecto de linha hiperreflexiva na interface vítreorretiniana, com tração da retina, é praticamente a assinatura do quadro. Isso difere dos quadros vasculares ou exsudativos, que costumam mostrar edema, líquido ou cistos intraretinianos. Aqui o texto da questão faz questão de dizer que não há espaços císticos intraretinianos, o que afasta edema macular diabético e também não combina com o padrão agudo de oclusões vasculares da retina. A pista está justamente no “puxão” da superfície retiniana, não em vazamento de líquido. Em termos de prova, pense assim: se a OCT mostra membrana sobre a retina, superfície enrugada e fovea distorcida, o diagnóstico mais provável é membrana epirretiniana. É uma daquelas imagens que a banca adora cobrar porque o nome parece técnico, mas a lógica é quase visual: algo aderido à retina está deformando a arquitetura normal.