Paciente de 75 anos, em uso de anticoagulantes devido a prótese valvar cardíaca, apresentou queda, trauma craniano e hematoma subdural crônico. O uso de anticoagulantes pode influir na evolução do hematoma e/ou sua terapêutica em caso de
- A)reabsorção espontânea incompleta.
Errada, porque a anticoagulação não explica reabsorção espontânea incompleta como efeito principal, e sim maior risco de persistência ou crescimento do hematoma.
- B)empiema subdural.
Errada, pois empiema subdural é infecção purulenta subdural, sem relação direta com o uso de anticoagulantes.
- C)crescimento do hematoma.
Certa, porque o anticoagulante favorece sangramento contínuo ou ressangramento, levando ao aumento do hematoma subdural crônico.
- D)hipertensão intracraniana com necessidade de craniotomia descompressiva.
Errada, porque hipertensão intracraniana pode ocorrer como consequência do aumento do hematoma, mas a questão pede o efeito mais diretamente relacionado ao anticoagulante.
- E)hidrocefalia pós-ressangramento.
Errada, pois hidrocefalia pós-ressangramento não é a associação clássica do anticoagulante com hematoma subdural crônico.
Gabarito: C
O hematoma subdural crônico costuma aparecer em idosos, após trauma às vezes até banal, porque as veias ponte são mais frágeis e o cérebro tem certa atrofia, deixando mais espaço para “chacoalhar”. Aí forma-se uma coleção que pode ficar quieta por um tempo e depois voltar a incomodar, com cefaleia, confusão, sonolência ou déficit focal. Quando o paciente usa anticoagulante, o cenário fica mais delicado: o sangue perde parte da capacidade de estancar pequenos sangramentos e de conter micro-ressangramentos dentro da coleção. Resultado prático: o hematoma pode aumentar de volume, crescer progressivamente e piorar a compressão sobre o cérebro. É o tipo de situação em que o remédio não ajuda a história, infelizmente ele dá uma forcinha para o problema continuar se alimentando. Por isso o gabarito é a letra C. O anticoagulante pode influir na evolução do hematoma e na terapêutica justamente por favorecer expansão do hematoma, seja por sangramento inicial maior, seja por ressangramentos. Na prática, isso pesa na conduta: costuma exigir reversão da anticoagulação, correção da coagulopatia e avaliação neurocirúrgica mais cuidadosa. As demais alternativas não traduzem o efeito clássico do anticoagulante no hematoma subdural crônico. A banca costuma cobrar esse raciocínio simples: anticoagulação aumenta risco de sangrar e de o hematoma crescer, especialmente em idoso pós-trauma.