Um tromboembolismo pulmonar (TEP) acontece quando um coágulo que se formou horas, dias ou às vezes semanas antes nas veias profundas é desalojado, viaja pelo sistema venoso e atravessa o ventrículo direito (VD), entrando na circulação pulmonar. O ventrículo direito normalmente bombeia sangue através de uma circulação pulmonar com uma baixa resistência ao fluxo sanguíneo. Pessoas jovens sem doença cardiopulmonar conseguem tolerar pelo menos 30% de obstrução advinda de um coágulo, com sintomas ou sinais mínimos. Um fator de risco para TEP relacionado ao mecanismo de hipercoagulabilidade é:
- A)doença do tecido conjuntivo;
Errada, porque doença do tecido conjuntivo não é a associação clássica cobrada como fator de hipercoagulabilidade para TEP.
- B)viagem recente;
Errada, porque viagem recente favorece principalmente estase venosa por imobilização prolongada, e não hipercoagulabilidade.
- C)tabagismo;
Errada, porque tabagismo é fator de risco vascular geral, mas não é o exemplo clássico de hipercoagulabilidade nesta questão.
- D)reposição de estrogênio;
Certa, porque a reposição de estrogênio aumenta o estado pró-trombótico e eleva o risco de tromboembolismo venoso.
- E)traumatismo com internação no último mês.
Errada, porque traumatismo com internação no último mês se relaciona mais com lesão endotelial e imobilização do que com hipercoagulabilidade.
Gabarito: D
O tromboembolismo pulmonar (TEP) costuma nascer em veias profundas, principalmente dos membros inferiores, e chega ao pulmão após se desprender e percorrer a circulação venosa. A fisiopatologia clássica envolve a tríade de Virchow: estase sanguínea, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. Quando a questão pede fator de risco relacionado a hipercoagulabilidade, ela quer algo que aumente a tendência do sangue a coagular com mais facilidade, e não apenas imobilização ou trauma. Entre as causas de hipercoagulabilidade, entram estados hormonais e medicamentos que aumentam o risco trombótico, como estrogênios. Por isso, a reposição de estrogênio é um fator de risco bem reconhecido para TEP, porque favorece o estado pró-trombótico. Em prova, isso costuma aparecer junto de anticoncepcional oral, terapia hormonal e gravidez, sempre com a mesma lógica: mais estrogênio, mais chance de trombose. Já viagem recente e traumatismo com internação apontam muito mais para estase venosa e imobilização do que para hipercoagulabilidade. Tabagismo até pode contribuir para risco cardiovascular e trombótico, mas não é a resposta clássica quando a banca quer identificar o mecanismo de hipercoagulabilidade. Doença do tecido conjuntivo pode aparecer associada a inflamação ou uso de corticoide, mas não é a associação direta mais cobrada aqui. Então, o gabarito D está correto porque reposição de estrogênio é um fator de risco para TEP por hipercoagulabilidade. Em linguagem de concurso: se a pergunta fala em mecanismo de coagulação aumentada, pense logo em estrogênio, gravidez, trombofilias e neoplasias.