Você recebe na emergência menina de 12 anos com queixa de dor abdominal na fossa ilíaca direita, associada a febre baixa e vômitos. O exame físico revela dor à palpação e defesa muscular. Uma ultrassonografia abdominal é solicitada para avaliação. Os achados radiológicos que podem indicar apendicite nesse paciente são:
- A)presença de líquido livre na cavidade abdominal.
Errada, porque líquido livre é um achado inespecífico e isoladamente não confirma apendicite.
- B)estenose colônica e apêndice medindo 2 mm de diâmetro.
Errada, porque apêndice com 2 mm é normal e estenose colônica não é achado típico de apendicite.
- C)o apêndice deve ser visualizado em sua posição normal, sem alterações.
Errada, porque visualizar apêndice normal, sem alterações, não sugere inflamação apendicular.
- D)abscesso periapendicular e espessamento da gordura subjacente.
Certa, porque abscesso periapendicular e espessamento da gordura subjacente são sinais de apendicite complicada.
- E)obstrução completa das alças intestinais acima da área do apêndice.
Errada, porque obstrução completa de alças intestinais acima do apêndice não é achado radiológico típico de apendicite.
Gabarito: D
Na suspeita de apendicite aguda em criança ou adolescente, a ultrassonografia costuma ser o primeiro exame de imagem, porque ajuda sem radiação e ainda pode mostrar sinais bem sugestivos da inflamação. O apêndice inflamado tende a ficar espessado, não compressível, com aumento do calibre e, quando o quadro já evoluiu, podem aparecer sinais ao redor, como inflamação da gordura, líquido local e até coleção. Em outras palavras: não é só “ver o apêndice”, mas perceber que a região está gritando inflamação. No caso da questão, a presença de abscesso periapendicular e espessamento da gordura subjacente aponta fortemente para apendicite complicada, geralmente com perfuração ou processo inflamatório mais avançado. A gordura periapendicular fica hiperecogênica e “suja” no ultrassom, o que é um achado clássico de inflamação local. O abscesso, por sua vez, mostra que a doença já passou da fase inicial e organizou coleção purulenta. As alternativas com achados inespecíficos ou normais não fecham diagnóstico. Líquido livre pode aparecer em vários quadros abdominais, e apêndice normal, fininho e sem alterações, obviamente não ajuda a sustentar apendicite. A banca gosta de cobrar justamente isso: sinais diretos e sinais indiretos de inflamação apendicular, especialmente os de complicação. Resumo prático: em ultrassom, pense em apendicite quando houver aumento do apêndice, não compressibilidade e sinais inflamatórios ao redor. Se aparecer abscesso e gordura periapendicular espessada, o caso ficou bem convincente. É o tipo de imagem que não quer ser discreta.