Paciente de 39 anos apresenta insuficiência mitral severa, classe funcional II/III da NYHA. Na ecocardiografia transesofágica color com Doppler detectou-se rotura da cordoalha tendínea no terço médio do folheto posterior (P2). A melhor técnica cirúrgica para esse caso é
- A)anuloplastia.
Errada, porque a anuloplastia isolada corrige o anel, mas não trata a rotura de cordoalha e o segmento P2 prolapsado.
- B)troca valvar com prótese mecânica.
Errada, porque a troca por prótese mecânica não é a melhor primeira opção quando a válvula é reparável, especialmente em paciente jovem.
- C)troca valvar com anel de Carpentier.
Errada, porque anel de Carpentier é componente de reparo valvar, não uma prótese de troca valvar.
- D)indicar a colocação de um clip de mitral per-cutânea.
Errada, porque o clip mitral percutâneo é opção para pacientes de alto risco cirúrgico, não para correção cirúrgica padrão de lesão reparável.
- E)ressecção quadrangular do segmento P2 do folheto posterior e anel de Carpentier.
Certa, porque a rotura em P2 é clássica para plastia mitral com ressecção quadrangular do segmento doente e anuloplastia com anel de Carpentier.
Gabarito: E
Na insuficiência mitral degenerativa por rotura de cordoalha, especialmente quando o problema está no folheto posterior, a regra de ouro é tentar plastia valvar, e não trocar a valva logo de saída. Isso porque a válvula mitral costuma ter anatomia favorável para reparo, com melhor preservação da função ventricular e menos complicações tardias do que a prótese. Em um paciente jovem, isso vale ainda mais: se dá para consertar, o cirurgião experiente prefere consertar. No caso descrito, a lesão está no segmento P2 do folheto posterior, que é justamente a área mais clássica e mais “amiga da reparação”. Quando há prolapso ou flail de P2 por ruptura de cordoalha, a técnica tradicional é a ressecção quadrangular do segmento acometido, seguida de anuloplastia com anel, como o anel de Carpentier, para remodelar o anel mitral e garantir coaptação adequada. A anuloplastia isolada não resolve o folheto doente, porque só corrige o anel, mas não remove o segmento redundante/prolapsado. Já a troca valvar fica reservada para situações em que a reparação não é viável ou é de baixa qualidade, o que não é o cenário mais típico aqui. E clip mitral percutâneo é estratégia para casos selecionados de alto risco cirúrgico, não para um paciente jovem com anatomia reparável. Em resumo: lesão degenerativa em P2 + cirurgia com objetivo de preservação valvar = plastia mitral com ressecção do segmento doente e anuloplastia. É a clássica cardiologia cirúrgica que gosta de fazer a valva voltar a trabalhar, sem pedir demissão.