Ultrassonografia evidencia um feto com 26 semanas com ascite, derrame pleural, edema de tecido celular subcutâneo e polidrâmnio. Não foram encontrados sinais de anemia fetal grave ao Doppler da artéria cerebral média. Tem que fazer parte da propedêutica, nesse caso:
- A)ecocardiografia fetal e cordocentese para hematócrito fetal;
Errada, porque cordocentese para hematócrito fetal faz sentido quando há forte suspeita de anemia, o que não é o caso aqui pelo doppler da cerebral média.
- B)biópsia de vilo corial e ecocardiografia fetal;
Errada, porque biópsia de vilo corial é exame do primeiro trimestre e não é o exame propedêutico adequado para esse feto já com 26 semanas.
- C)pesquisa de infecções maternas e biópsia de vilo corial;
Errada, porque a pesquisa de infecções maternas pode até fazer parte da avaliação, mas biópsia de vilo corial não é a conduta adequada nesse contexto gestacional.
- D)cariótipo fetal e pesquisa para diabetes gestacional;
Errada, porque cariótipo fetal e rastreio de diabetes podem ser considerados em alguns casos, mas não substituem a investigação clássica com ecocardiografia fetal e pesquisa infecciosa.
- E)ecocardiografia fetal e pesquisa de infecções maternas.
Certa, porque hidropisia fetal não imune exige investigação de cardiopatia e de infecções maternas, especialmente quando a anemia fetal grave foi afastada.
Gabarito: E
O quadro descreve hidropisia fetal não imune: ascite, derrame pleural, edema subcutâneo e polidrâmnio em um feto de 26 semanas. Quando a doppler da artéria cerebral média não sugere anemia grave, você precisa pensar além de hemólise e procurar as causas fetais e maternas mais comuns, especialmente infecção congênita e cardiopatia estrutural. É o tipo de caso em que o feto parece estar “inchado por dentro e por fora”, e a investigação tem de ser ampla, não só hematológica. A propedêutica, nesse cenário, deve incluir ecocardiografia fetal, porque malformações cardíacas e arritmias são causas frequentes de hidropisia não imune. Também deve incluir pesquisa de infecções maternas, sobretudo aquelas do grupo TORCH e outras relacionadas a hidropisia fetal, como parvovírus B19, CMV, sífilis e toxoplasmose, conforme a suspeita clínica e o protocolo local. Por isso o gabarito é a letra E: ecocardiografia fetal e pesquisa de infecções maternas. A lógica é simples: se não há sinal de anemia fetal grave no doppler da cerebral média, você não fica preso à hipótese de anemia e deve ampliar a investigação para as principais causas de hidropisia não imune. Em concursos, lembre que cordocentese e hematócrito fetal ficam mais ligados à suspeita de anemia; já biópsia de vilo corial não entra como exame de rotina nessa fase, e diabetes gestacional ou cariótipo podem ser úteis em situações selecionadas, mas não resumem a propedêutica inicial mais clássica do caso.