A indicação de opioides para pacientes com dor crônica benigna não deve sofrer interferência no seguinte caso:
- A)adição com busca de drogas ou uso indevido.
Errada, porque adição com busca de drogas ou uso indevido é um sinal de alerta importante e pode contraindicar ou exigir reavaliação da prescrição.
- B)falta de melhora funcional.
Errada, porque a falta de melhora funcional mostra que o opioide pode não estar cumprindo o objetivo terapêutico e deve ser reavaliado.
- C)dependência da equipe de saúde.
Errada, porque dependência da equipe de saúde sugere uso problemático, baixa autonomia ou manejo inadequado do tratamento, o que exige cautela.
- D)dependência física rápida.
Certa, porque a dependência física pode ocorrer rapidamente com opioides e é um efeito esperado, não uma razão isolada para negar a indicação.
- E)impedimento laboral.
Errada, porque impedimento laboral pode refletir prejuízo funcional e impacto negativo do quadro ou do tratamento, pedindo revisão da conduta.
Gabarito: D
Na dor crônica benigna, a decisão de usar opioides não pode ser feita no modo “olho no susto”. Você precisa pesar benefício analgésico, melhora funcional, risco de abuso e necessidade de seguimento rigoroso. O objetivo não é apenas “tirar a dor”, mas melhorar a vida do paciente com segurança. A grande sacada desta questão é que a dependência física pode surgir rápido com opioides, mas isso é um efeito farmacológico esperado, não um motivo isolado para impedir a indicação quando há real necessidade clínica. Em outras palavras: o corpo se adapta, mas isso não significa automaticamente adição nem abuso. Já sinais como adição com busca de drogas, falta de melhora funcional, dependência da equipe de saúde e impedimento laboral merecem muita atenção, porque podem indicar uso inadequado, baixa resposta terapêutica ou prejuízo relevante do tratamento. Nesses cenários, a prescrição deve ser reavaliada com cuidado, e muitas vezes a estratégia precisa ser revista. Esse raciocínio é coerente com a doutrina de analgesia racional e com diretrizes de manejo da dor crônica, que valorizam avaliação contínua de risco-benefício. Então, o gabarito é a letra D: dependência física rápida, por si só, não deve interferir na indicação do opioide.