Menina de cinco anos, é trazida ao ambulatório com febre diária há três semanas, cansaço progressivo e emagrecimento. Segundo o pai, a menina passou um mês na casa dos avós na zona rural de Pernambuco tendo retornado há cerca de quatro semanas. Ao exame, observa-se palidez acentuada, hepatoesplenomegalia e linfonodomegalia cervical discreta. O hemograma revela anemia grave, leucopenia e plaquetopenia. Nesse caso, a hipótese diagnóstica ou conduta mais adequada é
- A)leishmaniose visceral; confirmar o diagnóstico com sorologia específica ou teste rápido, seguido pelo início imediato do tratamento com antimoniais pentavalentes ou anfotericina B.
Correta: o quadro clínico e epidemiológico é típico de leishmaniose visceral, e a confirmação pode ser feita por sorologia/teste rápido antes do tratamento.
- B)febre tifoide; realizar hemoculturas e iniciar antibióticos empíricos.
Errada: febre tifoide não costuma causar hepatoesplenomegalia tão marcada com pancitopenia e o contexto de área rural endêmica aponta mais para outra infecção.
- C)leucemia aguda; solicitar mielograma e imunofenotipagem.
Errada: leucemia aguda entra no diferencial pela pancitopenia, mas a exposição endêmica e a hepatoesplenomegalia com febre prolongada favorecem leishmaniose visceral como hipótese principal.
- D)malária grave. solicitar teste rápido de gota espessa para Plasmodium, com início de tratamento antimalárico imediatamente após a confirmação.
Errada: malária pode dar febre e anemia, mas o caso não descreve viagem para área de transmissão compatível nem a conduta é tratar antes da confirmação nesse enunciado.
- E)anemia por desnutrição grave; suplementar ferro e prover suporte nutricional, com acompanhamento clínico.
Errada: desnutrição isolada não explica bem febre diária prolongada, hepatoesplenomegalia importante e pancitopenia nesse contexto epidemiológico.
Gabarito: A
O quadro é muito sugestivo de leishmaniose visceral (calazar): criança com febre prolongada, emagrecimento, palidez importante, hepatoesplenomegalia e pancitopenia, depois de passagem recente por área rural endêmica do Nordeste, especialmente Pernambuco. Em prova, esse conjunto quase grita doença transmitida por flebotomíneo, com acometimento sistêmico e medula sofrendo, por isso a anemia, leucopenia e plaquetopenia. O diagnóstico pode ser confirmado por teste rápido/sorologia específica, e também pode envolver pesquisa parasitológica conforme disponibilidade local. Na prática, quando a suspeita clínica é forte, não se deve perder tempo: o tratamento deve ser iniciado após a confirmação diagnóstica, com antimoniais pentavalentes ou anfotericina B, escolhendo a melhor opção conforme gravidade, idade, comorbidades e protocolo local. A banca acertou em cheio ao apontar a leishmaniose visceral, porque o contexto epidemiológico fecha com a clínica e o hemograma também ajuda muito. Hepatoesplenomegalia com pancitopenia em criança de área endêmica é uma combinação clássica que costuma confundir com leucemia, mas aqui a história de exposição rural recente pesa bastante. Em concursos, lembre da lógica: febre prolongada + perda de peso + baço grande + pancitopenia = pense primeiro em leishmaniose visceral, sem esquecer que o diagnóstico deve ser confirmado e o tratamento instituído prontamente. É o tipo de questão em que a epidemiologia vale quase tanto quanto o exame físico.