Paciente de 71 anos de idade, masculino, baixo nível sócio econômico, em bom estado geral, mas com estenose aórtica severa e sintomático com cansaço e com gradiente VE-AO = 64 mmhg. Sendo bom candidato a cirurgia aberta convencional. A técnica ou prótese indicada para esse caso é:
- A)Mecânica – metálica.
Errada, porque a prótese mecânica exigiria anticoagulação contínua e, aos 71 anos, a bioprótese costuma ser mais adequada.
- B)Realizar a cirurgia de Ross.
Errada, porque a cirurgia de Ross é reservada a pacientes selecionados, geralmente mais jovens, e não é a escolha típica para esse perfil.
- C)Indicar uma TAVI , prótese percutânea.
Errada, porque a TAVI é mais indicada em pacientes com maior risco cirúrgico ou quando há preferência/anatomia favorável, e aqui o paciente é bom candidato à cirurgia aberta.
- D)Prótese biológica de pericárdio bovino de longa duração.
Certa, porque em paciente idoso, sintomático e apto para cirurgia convencional, a prótese biológica é a opção mais apropriada para evitar anticoagulação vitalícia.
- E)Tentar plastia valvar com descalcificação dos folhetos.
Errada, porque a calcificação valvar na estenose aórtica severa não é, em regra, situação para plastia duradoura; o tratamento padrão é a substituição valvar.
Gabarito: D
Na estenose aórtica severa sintomática, o tratamento definitivo é a troca valvar. Quando o paciente é bom candidato a cirurgia aberta, a grande pergunta vira: qual prótese escolher? Aqui, a idade pesa bastante. Em um homem de 71 anos, a tendência é preferir uma prótese biológica, porque ela evita a necessidade de anticoagulação vitalícia e, nessa faixa etária, a durabilidade costuma ser suficiente para a expectativa de vida do paciente. A prótese mecânica é muito durável, mas cobra o preço da anticoagulação permanente com varfarina, o que aumenta risco de sangramento e exige seguimento mais rígido. Em idoso, isso geralmente não compensa, especialmente quando não há indicação especial para anticoagulação. A TAVI é outra ótima ideia em muitos cenários, mas o enunciado já diz que ele é bom candidato à cirurgia convencional. Então a via percutânea fica sem brilho aqui, porque ela é mais lembrada em pacientes de maior risco cirúrgico, anatomia favorável ou quando a equipe quer evitar esternotomia por outros motivos. Por isso, o gabarito D está correto: prótese biológica de pericárdio bovino de longa duração. Isso está alinhado ao raciocínio das diretrizes atuais de valvopatias, que costumam favorecer bioprótese em pacientes mais velhos, justamente para equilibrar durabilidade e segurança do tratamento.