Paciente do sexo feminino, branca, de média idade, queixa-se de embaçamento visual matinal, associado a visão de halos coloridos. Ao exame, apresenta acuidade visual de 20/30 com correção, em ambos os olhos, separadamente, fundoscopia e pressão intraocular sem alterações significativas. À biomicroscopia, observam-se, além de catarata nuclear grau I, edema de córnea, pregas na Descemet, presença de finos pigmentos irianos localizados no centro da córnea, em sua face posterior, e áreas escuras distribuídas principalmente no centro da córnea. Diante desse quadro clínico, o diagnóstico provável é:
- A)distrofia endotelial hereditária congênita;
Errada, porque a distrofia endotelial hereditária congênita se manifesta já no nascimento ou na primeira infância, e não em mulher de meia idade com piora matinal progressiva.
- B)distrofia polimorfa posterior;
Errada, porque a distrofia polimorfa posterior é outra alteração endotelial, mas o quadro descrito é mais típico de Fuchs, com edema matinal e guttata centrais.
- C)corpos de Hassall-Henle;
Errada, porque os corpos de Hassall-Henle são excrescências periféricas da membrana de Descemet, geralmente relacionadas ao envelhecimento, e não explicam esse quadro clínico.
- D)distrofia de Fuchs;
Certa, porque a distrofia de Fuchs cursa com disfunção endotelial, edema corneano, pregas na Descemet, guttata e visão turva matinal com halos.
- E)córnea guttata.
Errada, porque córnea guttata é um achado oftalmológico, não o diagnóstico completo, e costuma ser parte da distrofia de Fuchs, não uma doença isolada neste contexto.
Gabarito: D
As outras alternativas tentam confundir com distrofias endoteliais ou alterações da membrana de Descemet, mas nenhuma encaixa tão bem com a combinação de halos matinais, edema corneano e guttata. Em prova, quando aparece piora ao acordar + córnea “embassada” + pregas na Descemet, pense primeiro em Fuchs. É o clássico que a banca gosta de vestir com uma roupa um pouco mais elegante para ver se você tropeça.