No âmbito da cardio-oncologia, além das medicações quimioterápicas, a radioterapia também está associada a complicações cardiovasculares significativas. Nesse contexto, assinale a afirmativa incorreta acerca dos possíveis efeitos adversos cardíacos de pacientes submetidos à radioterapia torácica.
- A)O uso concomitante de antraciclinas aumenta o risco de complicações cardíacas.
Certa: o uso concomitante de antraciclinas realmente aumenta o risco de cardiotoxicidade e de complicações cardíacas.
- B)A regurgitação tricúspide é a lesão valvar mais comum, devido à proximidade da válvula à parede torácica.
Errada: a lesão valvar mais comum na radioterapia torácica costuma atingir as valvas esquerdas, especialmente a aórtica e a mitral, e não a tricúspide.
- C)A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada é uma complicação possível.
Certa: a radioterapia pode causar disfunção diastólica e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
- D)A pericardite constritiva pode ocorrer mesmo depois de muitos anos após a exposição à radioterapia.
Certa: a pericardite constritiva é uma complicação tardia possível, podendo surgir muitos anos após a exposição.
- E)A doença coronariana geralmente ocorre por um processo primariamente fibrótico que acomete as porções proximais e até mesmo os óstios das coronárias.
Certa: a doença coronariana induzida por radiação costuma ser fibrosa e acometer segmentos proximais e óstios das coronárias.
Gabarito: B
A radioterapia torácica pode causar lesões cardiovasculares tardias e, às vezes, bem traiçoeiras. Ela pode atingir pericárdio, miocárdio, válvulas e coronárias, com manifestações que aparecem anos depois do tratamento, o que exige atenção no seguimento do paciente oncológico. Um ponto clássico é que o risco aumenta quando há associação com outras drogas cardiotóxicas, especialmente as antraciclinas. Ou seja, o coração não gosta de “combo” agressivo: radioterapia + quimioterapia cardiotóxica eleva a chance de disfunção cardíaca. Também podem ocorrer insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, pericardite constritiva e doença coronariana. Na coronariopatia por radiação, o padrão costuma ser fibroso, com acometimento de segmentos proximais e até dos óstios, algo bem cobrado em prova. As válvulas mais frequentemente afetadas são as do lado esquerdo, principalmente a aórtica e a mitral, não a tricúspide. Por isso, a alternativa incorreta é a letra B. A regurgitação tricúspide não é a lesão valvar mais comum na cardiopatia por radioterapia torácica, porque o padrão típico envolve mais as valvas esquerdas, pela distribuição da dose e pela posição anatômica do coração no tórax.