Sobre a otite média colesteatomatosa, é correto afirmar que
- A)os colesteatomas podem ser congênitos ou adquiridos, primários ou secundários ou terciários.
Errada, porque colesteatoma congênito e adquirido existem, mas a divisão clássica não inclui essa categoria de “terciários” como regra.
- B)no diagnóstico diferencial de colesteatoma pela ressonância magnética, o granuloma de colesterol tem sinal brilhante nas imagens em T1 e T2.
Certa, porque o granuloma de colesterol pode apresentar hipersinal em T1 e T2 na ressonância, ajudando no diagnóstico diferencial com colesteatoma.
- C)pela classificação de Jackler, o colesteatoma confinado à pars tensa é chamado de atical ou epitimpânico posterior.
Errada, porque a classificação de Jackler não define o colesteatoma de pars tensa como atical ou epitimpânico posterior; isso é típico da doença de pars flaccida.
- D)independentemente da localização, a perda auditiva é geralmente neurossensorial por ação das enzimas tumorais.
Errada, porque a perda auditiva no colesteatoma é geralmente condutiva, por erosão ossicular e comprometimento da cadeia de transmissão sonora.
- E)o colesteatoma primário ocorre por uma invaginação da pele do conduto auditivo externo para a orelha média em pacientes com perfuração marginal do tímpano.
Errada, porque a descrição corresponde a colesteatoma adquirido secundário por perfuração marginal, e não ao colesteatoma primário.
Gabarito: B
A otite média colesteatomatosa é uma doença de pele fora do lugar: epitélio escamoso queratinizante entrando onde não deveria, acumulando queratina e causando erosão local. O colesteatoma pode ser congênito ou adquirido, e no adquirido costuma aparecer por retração da pars flaccida ou por perfuração marginal da membrana timpânica, com comportamento destrutivo e risco de complicações ossiculares, labirínticas e intracranianas. Na prática, o sintoma clássico é perda auditiva do tipo condutiva, porque o problema principal é mecânico: o colesteatoma erode ossículos e altera a condução do som. Então, nada de achar que a perda é, em regra, neurossensorial por “enzimas tumorais”; essa ideia não fecha com a fisiopatologia habitual da doença. O ponto cobrado na letra B é de imagem. Na ressonância magnética, o conteúdo do colesteatoma costuma ter restrição à difusão, o que ajuda muito no diagnóstico e no seguimento pós-operatório. Já o granuloma de colesterol entra no diferencial e, por ter metemoglobina e hemorragia antiga, costuma mostrar hipersinal em T1 e T2. Por isso a assertiva B está correta. Em resumo: colesteatoma é lesão destrutiva, geralmente com perda auditiva condutiva e diagnóstico por otoscopia, tomografia e, em casos selecionados, ressonância com difusão. A FGV gosta de misturar nomes parecidos e imagem parecida para ver se você confunde colesteatoma com outras lesões da orelha média.