Em relação às possíveis complicações cardiovasculares de pacientes com intoxicação por monóxido de carbono, avalie as afirmativas a seguir. I. Infarto agudo do miocárdio e edema pulmonar são potenciais manifestações de intoxicações graves. II. A oxigenioreapia hiperbárica é contraindicada em pacientes com manifestações de isquemia miocárdica. III. A injúria miocárdica pós-intoxicação não está associada a um pior prognóstico em longo prazo. Está correto apenas o que se afirma em
- A)I e III.
Esta alternativa reúne a afirmativa I e a III. A I está correta porque a intoxicação grave por monóxido de carbono pode provocar hipóxia miocárdica, desencadeando isquemia, infarto agudo do miocárdio e até edema pulmonar como expressão de comprometimento cardiovascular importante. Já a III está errada, pois a injúria miocárdica após a intoxicação não é um achado benigno: ela se relaciona a pior prognóstico e maior mortalidade no seguimento.
- B)I e II.
Aqui se combinam a afirmativa I e a II. A I descreve complicações cardiovasculares possíveis nas intoxicações graves, mas a II está incorreta porque a oxigenoterapia hiperbárica não é contraindicada pela presença de isquemia miocárdica; ao contrário, esse achado é marcador de gravidade e pode reforçar a indicação do tratamento. A contraindicação clássica da oxigenoterapia hiperbárica é o pneumotórax não tratado, não a lesão isquêmica cardíaca.
- C)II e III.
Esta opção junta a afirmativa II e a III. A II erra ao dizer que a oxigenoterapia hiperbárica deve ser evitada em pacientes com isquemia miocárdica, quando na realidade essa manifestação é uma das situações em que se considera o tratamento por indicar intoxicação mais grave. A III também é falsa, porque a lesão miocárdica na intoxicação por monóxido de carbono se associa a pior desfecho clínico e maior risco de morte em longo prazo.
- D)I.
Esta alternativa traz apenas a afirmativa I, que está correta. Em intoxicações graves por monóxido de carbono, a hipóxia tecidual pode precipitar isquemia miocárdica, infarto agudo do miocárdio e edema pulmonar, entre outras complicações cardiovasculares relevantes. Portanto, o conteúdo da afirmativa está de acordo com a fisiopatologia e com a apresentação clínica descrita na literatura.
- E)II.
Esta alternativa afirma apenas a II. O enunciado está errado porque a presença de isquemia miocárdica não contraindica a oxigenoterapia hiperbárica; ao contrário, ela sugere intoxicação grave e costuma ser um dos critérios para considerar esse tratamento. A contraindicação clássica é o pneumotórax não drenado, e não a manifestação isquêmica do coração.
Gabarito: D
A intoxicação por monóxido de carbono (CO) faz um estrago silencioso: além de hipóxia, ela pode descompensar o coração. Em quadros graves, podem aparecer isquemia miocárdica, infarto agudo do miocárdio e até edema agudo de pulmão, especialmente em pacientes com doença cardiovascular prévia ou exposição intensa. A afirmativa I está correta porque essas são manifestações possíveis nas intoxicações mais graves. O CO reduz o transporte de oxigênio e também prejudica o uso tecidual de O2, então o miocárdio sofre cedo e sofre muito. A afirmativa II está errada. A oxigenioterapia hiperbárica não é contraindicada por haver isquemia miocárdica; na verdade, a presença de isquemia é um marcador de gravidade e pode reforçar a indicação do tratamento em situações selecionadas, conforme recomendações toxicológicas e de medicina hiperbárica. A afirmativa III também está errada. A injúria miocárdica após intoxicação por CO se associa, sim, a pior prognóstico em longo prazo, com maior risco de eventos cardiovasculares e mortalidade. Por isso, a avaliação cardíaca não deve ser tratada como detalhe: no CO, coração machucado é sinal de alerta, não de rodapé.