Paciente do sexo feminino, 33 anos, com o diagnóstico de câncer de mama metastático, sem outras comorbidades, realizou última sessão de quimioterapia há 10 dias. Dá entrada no pronto-socorro queixando-se de febre de 38,7°C sustentada há duas horas. Não apresenta queixas abdominais, respiratórias e urinárias e não faz uso de dispositivos invasivos. Está em bom estado geral, Glasgow 15, FC 90, hidratada, febril, PA 120x70, FR 18, SatO2 95% em ar ambiente, sem quaisquer alterações de exame físico. A melhor conduta para esse caso é
- A)prescrever antitérmicos e orientar retorno ao pronto-socorro apenas se sinais de alarme.
Errada, porque febre em paciente em quimioterapia recente não deve ser tratada apenas com antitérmico e observação passiva.
- B)coletar exames laboratoriais, além de culturas, orientando retorno em 48h para checagem de exames e início de antimicrobiano direcionado para cultura caso seja necessário.
Errada, porque aguardar 48 horas sem antibiótico em uma paciente com suspeita de neutropenia febril é arriscado e não é a conduta inicial.
- C)coletar exames laboratoriais, além de culturas, dando receita de levofloxacino 750mg/dia por via oral e orientando retorno em 48h para checagem dos exames e ajuste/suspensão do antimicrobiano conforme resultado das culturas.
Errada, porque o tratamento oral pode ser adequado em baixo risco, mas a proposta não inclui a supervisão da primeira dose e a observação inicial, que são medidas importantes na prova.
- D)coletar exames laboratoriais, além de culturas. Fazer a primeira dose de levofloxacino 750mg/dia supervisionada no pronto-socorro e manter observação por quatro horas. Caso não exiba intercorrências, liberar com receita do mesmo antibiótico por via oral e orientar retorno em 48h para direcionamento das condutas.
Certa, porque descreve a abordagem de baixo risco: coleta de exames e culturas, primeira dose supervisionada, observação curta e alta com antibiótico oral e retorno precoce.
- E)coletar exames de protocolo sepse, culturas e início de cefepima por via intravenosa, estando indicada internação hospitalar independentemente do resultado dos exames, por se tratar de paciente de alto risco, caracterizado por um escore de MASCC < 21 e por febre sustentada.
Errada, porque indica internação e cefepime como se fosse alto risco obrigatório, mas a paciente tem estabilidade clínica e não há dado suficiente para classificá-la assim.
Gabarito: D
Essa questão é sobre febre em paciente oncológica logo após quimioterapia, e aqui o ponto-chave é pensar em neutropenia febril até prova em contrário. Em pacientes com quimioterapia recente, febre sustentada merece avaliação imediata com hemograma, função renal, eletrólitos e culturas, porque a evolução pode ser rápida mesmo quando o exame físico está normal. O fato de ela estar hemodinamicamente estável, sem foco infeccioso e em bom estado geral sugere baixo risco, não um quadro grave de cara. Na neutropenia febril de baixo risco, a conduta aceita é investigar, colher culturas e considerar tratamento ambulatorial com antibiótico oral com cobertura adequada, desde que haja condição clínica e seguimento próximo. O esquema clássico é uma fluoroquinolona associada a outro agente, mas em muitas provas o detalhe cobrado é a administração supervisionada da primeira dose no pronto-socorro, observação por algumas horas e liberação com retorno precoce para reavaliação. Isso reduz o risco de mandar a paciente embora e depois descobrir que ela piorou em casa. O gabarito D encaixa exatamente essa lógica: coleta exames e culturas, faz a primeira dose de levofloxacino no pronto-socorro, observa por 4 horas e, se continuar estável, libera com a medicação por via oral e retorno em 48 horas. A ideia é tratar como baixo risco, sem internar automaticamente, mas também sem banalizar a febre pós-quimioterapia. A alternativa E erra porque transforma a paciente em alto risco sem base. O escore MASCC serve justamente para estratificar risco, e febre sustentada isolada não obriga internação nem cefepime intravenoso se a paciente está estável e sem critérios de gravidade.