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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo feminino, 33 anos, com o diagnóstico de câncer de mama metastático, sem outras comorbidades, realizou última sessão de quimioterapia há 10 dias. Dá entrada no pronto-socorro queixando-se de febre de 38,7°C sustentada há duas horas. Não apresenta queixas abdominais, respiratórias e urinárias e não faz uso de dispositivos invasivos. Está em bom estado geral, Glasgow 15, FC 90, hidratada, febril, PA 120x70, FR 18, SatO2 95% em ar ambiente, sem quaisquer alterações de exame físico. A melhor conduta para esse caso é

Gabarito: D

Essa questão é sobre febre em paciente oncológica logo após quimioterapia, e aqui o ponto-chave é pensar em neutropenia febril até prova em contrário. Em pacientes com quimioterapia recente, febre sustentada merece avaliação imediata com hemograma, função renal, eletrólitos e culturas, porque a evolução pode ser rápida mesmo quando o exame físico está normal. O fato de ela estar hemodinamicamente estável, sem foco infeccioso e em bom estado geral sugere baixo risco, não um quadro grave de cara. Na neutropenia febril de baixo risco, a conduta aceita é investigar, colher culturas e considerar tratamento ambulatorial com antibiótico oral com cobertura adequada, desde que haja condição clínica e seguimento próximo. O esquema clássico é uma fluoroquinolona associada a outro agente, mas em muitas provas o detalhe cobrado é a administração supervisionada da primeira dose no pronto-socorro, observação por algumas horas e liberação com retorno precoce para reavaliação. Isso reduz o risco de mandar a paciente embora e depois descobrir que ela piorou em casa. O gabarito D encaixa exatamente essa lógica: coleta exames e culturas, faz a primeira dose de levofloxacino no pronto-socorro, observa por 4 horas e, se continuar estável, libera com a medicação por via oral e retorno em 48 horas. A ideia é tratar como baixo risco, sem internar automaticamente, mas também sem banalizar a febre pós-quimioterapia. A alternativa E erra porque transforma a paciente em alto risco sem base. O escore MASCC serve justamente para estratificar risco, e febre sustentada isolada não obriga internação nem cefepime intravenoso se a paciente está estável e sem critérios de gravidade.

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