Paciente, 59 anos, tabagista de longa data e portador de enfisema, é admitido no hospital com hipoxemia, taquipneia e dispneia. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
- A)O uso de corticoide acelera a recuperação, mas não evita recaída posterior. Deve ser usado pelo menos, quatro semanas.
Errada: corticoide sistêmico ajuda na exacerbação da DPOC, mas o tratamento é curto, geralmente por 5 dias, e não por quatro semanas.
- B)O uso de oxigênio deve ser feito para manter a SP02 > 90% apenas. Em alguns pacientes, pode haver aumento da PaCO2.
Certa: a oxigenoterapia na DPOC deve ser titulada com monitorização, pois alguns pacientes podem reter CO2, e o objetivo é corrigir a hipoxemia com segurança.
- C)Os antibióticos devem ser usados apenas nos casos de evidência radiológica ou microbiológica, mesmo nos casos mais severos, por conta da colonização por bactérias multirresistentes.
Errada: antibiótico não depende apenas de prova radiológica ou microbiológica; ele é indicado em situações clínicas típicas, como aumento de dispneia, volume e purulência do escarro, ou em casos graves.
- D)A embolia pulmonar, importante causa de taquipneia, está excluída, porque não ocorre durante as exacerbações de doença pulmonar obstrutiva crônica.
Errada: embolia pulmonar pode fazer parte do diagnóstico diferencial da exacerbação e não está excluída só porque o paciente tem DPOC.
- E)A radiografia de tórax deve ser realizada em todos os casos de exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica, pois existem novas anormalidades na maioria dos casos.
Errada: radiografia de tórax é frequentemente indicada para investigar causas associadas ou complicações, mas não porque mostre novas anormalidades na maioria dos casos.
Gabarito: B
Na exacerbação da DPOC, voce sempre pensa em três coisas: broncodilatador, corticoide e oxigênio com cuidado. O paciente do enunciado tem o quadro clássico de piora aguda em cima de um enfisema, com hipoxemia, taquipneia e dispneia, então a conduta não é dar oxigênio “de qualquer jeito”, mas sim de forma titulada. O ponto mais cobrado é que o oxigênio deve ser ajustado para corrigir a hipoxemia sem provocar retenção excessiva de CO2. Em prova, a ideia central é essa: usar oxigênio com monitorização, porque alguns pacientes podem elevar a PaCO2. Na prática, costuma-se mirar saturação em torno de 88% a 92%, evitando hiperoxigenação. Por isso a alternativa B é a correta: ela traduz a necessidade de oxigenoterapia cautelosa e lembra o risco de aumento da PaCO2 em parte dos pacientes com DPOC. A banca gosta muito de testar esse detalhe, porque o erro comum é achar que quanto mais oxigênio, melhor, e na DPOC isso pode sair caro. Os outros pontos da exacerbação também ajudam a fechar o raciocínio: corticoide costuma ser por curto período, antibiótico depende de critérios clínicos e a radiografia é usada para pesquisar complicações ou diagnósticos alternativos. Em resumo, aqui o segredo é tratar, mas sem exagerar na dose de oxigênio.