Uma paciente de 45 anos deu entrada no pronto-socorro com quadro de dor torácica aguda, pleurítica, aliviada na posição sentada com inclinação corporal anterior e piora com inspiração profunda. Teve quadro de febre e mialgia 24 horas antes do início da dor torácica. Foi realizado ECG representado na imagem abaixo. Considerando os dados apresentados, o diagnóstico mais provável para o caso acima é:
- A)pleurite aguda;
Pleurite aguda pode dar dor pleurítica, mas não explica tão bem a melhora ao inclinar o tronco para frente nem o padrão clássico do ECG.
- B)pericardite aguda;
Correta, porque a combinação de dor pleurítica posicional, pródromo viral e ECG compatível aponta fortemente para pericardite aguda.
- C)infarto agudo do miocárdio;
Infarto agudo do miocárdio costuma causar dor opressiva e não relacionada à posição ou à inspiração, além de ter ECG com padrão territorial.
- D)embolia pulmonar;
Embolia pulmonar pode causar dor pleurítica, mas o quadro posicional típico e o contexto eletrocardiográfico favorecem outra hipótese.
- E)pneumonia.
Pneumonia pode cursar com febre e dor pleurítica, porém não costuma produzir o padrão clínico e eletrocardiográfico descrito.
Gabarito: B
O quadro descreve uma dor torácica bem típica de pericardite aguda: dor pleurítica, que piora com a inspiração e melhora quando a paciente se senta e inclina o tronco para frente. Esse padrão já acende a luz amarela para inflamação do pericárdio, e não para dor isquêmica clássica do miocárdio. O antecedente de febre e mialgia 24 horas antes ajuda muito, porque sugere um gatilho viral/inflamatório recente. Em provas, a banca adora esse conjunto: dor torácica que muda com a posição + componente pleurítico + sintomas virais recentes = pericardite até prova em contrário. No ECG, o achado esperado é elevação difusa do segmento ST e, muitas vezes, depressão do PR, o que diferencia de um IAM típico, que costuma ter alterações territoriais e recíprocas. Na pericardite, a inflamação é mais espalhada, então o traçado também costuma ser mais difuso e menos "geográfico". Por isso, o gabarito é a letra B. O raciocínio clínico pesa mais que decorar uma imagem isolada: dor que alivia ao sentar para frente e piora ao inspirar é praticamente a assinatura da pericardite aguda.