Paciente masculino, 28 anos, apresenta, há 24 horas, dor abdominal, inicialmente epigástrica e localizando-se posteriormente na fossa ilíaca direita (FID), acompanhada de náuseas, anorexia e parada de eliminação de gases e fezes. Relata um pico de 38,2 °C. Procurou atendimento na emergência pois não melhora da dor com sintomáticos. Corado, hipohidratado, febril, eupneico. Abdome pouco distendido, mas sensível à palpação na FID com descompressão dolorosa. Restante do exame sem alterações dignas de nota. O exame laboratorial demonstrou discreta leucocitose sem desvio. Já a tomografia de abdome mostrou apêndice cecal dilatado, com paredes espessadas, com 9 mm, e borramento da gordura periapendicular. Diante desse quadro, a melhor conduta é
- A)apendicectomia por videolaparoscopia.
Correta: é a conduta padrão para apendicite aguda não complicada em adulto, com diagnóstico confirmado por imagem.
- B)videolaparoscopia para lavagem e drenagem.
Errada: lavagem e drenagem isoladas não tratam apendicite sem abscesso ou perfuração.
- C)apendicectomia por laparotomia infra umbilical.
Errada: laparotomia fica reservada para casos específicos, como contraindicação à videolaparoscopia ou doença complicada, não sendo a melhor escolha aqui.
- D)punção e drenagem transparietal por radiologia intervencionista.
Errada: drenagem por radiologia intervencionista é indicada para abscesso apendicular, o que não foi descrito.
- E)conduta conservadora com antibioticoterapia e reavaliação após 48h.
Errada: antibioticoterapia e reavaliação podem ser consideradas em cenários selecionados, mas não substituem cirurgia neste quadro típico confirmado por tomografia.
Gabarito: A
O quadro é bem típico de apendicite aguda: dor que começa de forma difusa ou epigástrica e depois migra para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas, anorexia, febre baixa e sinal de irritação peritoneal local. A tomografia praticamente fecha o diagnóstico ao mostrar apêndice dilatado, parede espessada e inflamação da gordura ao redor, sem sinais de abscesso ou perfuração complicada. Nessa situação, a melhor conduta é o tratamento cirúrgico por videolaparoscopia, que hoje é a abordagem preferida na maioria dos adultos com apendicite aguda não complicada. Ela permite diagnóstico e tratamento com menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e recuperação mais rápida, além de ser muito útil quando o quadro clínico ainda deixa alguma dúvida. Não há indicação de lavagem isolada, drenagem percutânea ou antibioticoterapia com observação, porque isso seria para situações complicadas, como abscesso apendicular, plastrão ou pacientes selecionados para tratamento não operatório. Aqui o apêndice está inflamado, mas o caso descrito não mostra coleção ou perfuração que justifique outra estratégia. Em resumo: apendicite aguda confirmada por imagem, sem complicações locais descritas, pede apendicectomia videolaparoscópica. Em prova, quando a tomografia vem praticamente gritando o diagnóstico, você não precisa inventar moda.