Menino de 5 anos de idade, previamente sadio, é trazido pelos familiares com história de dor progressiva em membros inferiores há 6 dias. No terceiro dia de doença, apresentou dificuldade de deambulação associada à visão turva e ptose palpebral. O exame neurológico da admissão revelava “fascies miastênica”, com ptose palpebral bilateral, dismetria, fraqueza muscular proximal nos quatro membros, marcha atáxica e hiporreflexia generalizada. A história familiar não revelou a existência de doenças neuromusculares ou neurodegenerativas. Na revisão da história clínica, sua mãe reportou o consumo de vegetais enlatados três dias antes do início dos sintomas, assim como dor abdominal sem a presença de diarreia ou episódios de vômitos. Exame de eletroneuromiografia mostrou potenciação com estimulação repetitiva rápida denotando o bloqueio da junção pré-sináptica neuromuscular, com condução axonal normal. O achado adicional do exame físico que, se presente, su
- A)assimetria dos achados neurológicos.
Errada: no botulismo, os déficits costumam ser simétricos, progressivos e com padrão descendente.
- B)febre superior a 38 oC.
Errada: febre alta sugere processo infeccioso/inflamatório diferente, enquanto o botulismo costuma ocorrer sem febre importante.
- C)paralisia flácida.
Certa: o botulismo causa fraqueza/paralisia flácida por bloqueio da transmissão neuromuscular.
- D)rebaixamento do nível de consciência.
Errada: o rebaixamento do nível de consciência não é esperado no botulismo, porque a toxina atua perifericamente.
- E)alteração de sensibilidade.
Errada: a sensibilidade geralmente é preservada, já que o problema é motor e neuromuscular.
Gabarito: C
O quadro é bem típico de botulismo infantil, causado pela toxina do Clostridium botulinum adquirida, por exemplo, após ingestão de alimentos contaminados, como vegetais enlatados. A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, então a criança vai fazendo uma fraqueza progressiva, com ptose, visão turva, marcha instável e hiporreflexia. A eletroneuromiografia com facilitação à estimulação rápida ajuda a fechar a ideia de bloqueio pré-sináptico. O detalhe clássico que costuma aparecer no exame físico é a paralisia flácida, geralmente descendente e simétrica, porque o problema é neuromuscular, não sensitivo nem cortical. Em pediatria e infectologia, isso é um daqueles quadros em que o raciocínio clínico vale ouro: criança previamente sadio, sintomas neurológicos, exposição alimentar suspeita e sem febre ou diarreia importante apontam para toxina, não para infecção invasiva.